sexta-feira, novembro 24, 2006

Descubra as diferenças

TEXTO 1
«1. A CPAFJ faz parte do património dos jornalistas, não como um privilégio de classe, mas como um patamar de qualidade e de direitos que, não sendo o melhor que se poderia desejar, deveria constituir uma referência para todos os trabalhadores, pois a qualidade no apoio social e na saúde deve nivelar-se sempre por cima e nunca por baixo.
2. Criada em 1943, a CPAFJ reconhece a especificidade e importância de uma actividade constitucionalmente consagrada como estruturante do Estado democrático e tem constituído, há décadas, um factor de coesão, estabilidade e estímulo para uma classe que desempenha um papel social insubstituível.
3. O facto de os jornalistas disporem de um subsistema de Saúde significa que o Estado tem em conta, há décadas, as especificidades da nossa profissão, designadamente jornadas intensas e prolongadas e informalidade de horários, com fortes impactos na saúde e na qualidade de vida destes profissionais, como demonstra a significativa prevalência de stress e de doenças do foro cardíaco, desgaste rápido e até morte precoce. Esta situação agravou-se nos últimos anos, com a crescente precariedade, um extraordinário aumento dos níveis de exigência, polivalência e de disponibilidade.
4. O subsistema de saúde dos jornalistas tem sido ciclicamente posto em causa, por alegado elitismo e por ser pretensamente gravoso para o orçamento da Saúde. Mas a verdade é que, não obstante os níveis de comparticipação nas suas despesas serem superiores aos concedidos à generalidade dos trabalhadores, não só se tem pago a si próprio como tem contribuído para o orçamento geral da Segurança Social (...)».
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TEXTO 2
«1. Os SSMJ fazem parte do património dos magistrados e oficiais de justiça, não como um privilégio de classe, mas como um patamar de qualidade e de direitos que, não sendo o melhor que se poderia desejar, deveria constituir uma referência para todos os trabalhadores, pois a qualidade no apoio social e na saúde deve nivelar-se sempre por cima e nunca por baixo.
2. Criados há mais de 40 anos, os SSMJ reconheciam a especificidade e importância de uma actividade constitucionalmente consagrada como estruturante do Estado democrático e tem constituído, há décadas, um factor de coesão, estabilidade e estímulo para uma classe que desempenha um papel social insubstituível.
3. O facto de os magistrados e oficiais de justiça disporem de um subsistema de Saúde significa que o Estado tem em conta, há décadas, as especificidades da função, designadamente jornadas intensas e prolongadas e informalidade de horários, com fortes impactos na saúde e na qualidade de vida destes profissionais, como demonstra a significativa prevalência de stress e de doenças do foro cardíaco, desgaste rápido e até morte precoce. Esta situação agravou-se nos últimos anos, com a crescente dedicação exclusiva, um extraordinário aumento dos níveis de exigência e de disponibilidade.
4. O subsistema de saúde dos magistrados e oficiais de justiça tem sido ciclicamente posto em causa, por alegado elitismo e por ser pretensamente gravoso para o orçamento da Saúde. Mas a verdade é que, não obstante os níveis de comparticipação nas suas despesas serem superiores aos concedidos à generalidade dos trabalhadores, não só se tem pago a si próprio como tem contribuído para a não oneração do orçamento geral da Segurança Social (...)».
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JÁ DESCOBRIU AS DIFERENÇAS ?
É simples.
O primeiro texto acaba de ser redigido pelo Sindicato dos Jornalistas (link). E, enquanto cidadão, não posso deixar de reconhecer a especificidade das funções dos jornalistas e da razão do seu comunicado.
Já o segundo texto é uma cópia praticamente exacta do primeiro texto, cujos termos foram, ainda que com conteúdo eventualmente distinto, expostos no ano transacto, pelos Magistrados e Oficiais de Justiça. Sucede porém que, então, os que agora defendem a nivelação por alto e que a existência de subsistemas de saúde não é um privilégio, antes um patamar de qualidade, ampliaram em grandes letras de jornais e manchetes de noticias, a propaganda dos pseudo "privilégios corporativistas" que o Governo, nessa altura, quis lançar para o público desconhecedor da realidade.
E agora ?

4 comentários:

Galo disse...

Na mouche, Dr. Joel. A única diferença está no facto de os magistrados não poderem fazer parangonas nos jornais.

Anónimo disse...

Muito bem.

Gostaria agora de ver um Prós e Contras sobre a «injustiça» que representam tais «privilégios corporativistas»!!!

Anónimo disse...

E agora ?
Querem eles lá saber. Como bons e solidários portugueses que são só se interessam pela sua barriguinha.
Ou outros ? São passado !

Anónimo disse...

Os privilégios dos jornalistas

O Governo resolveu mexer agora nos “privilégios” dos jornalistas, nomeadamente o que se refere ao sistema especial de saúde. Também era o que faltava andar o Governo a atacar os “privilégios” de todos os grupos profissionais da Administração Pública, e manter um desses “privilégios”, comparticipando no sistema de saúde de um grupo profissional privado, por muito que esse grupo o apoiasse no seu ataque aos “privilégios” dos outros. Vital Moreira, aliás, que – honra lhe seja feita! – tem exercido uma vigilância atentíssima sobre os “privilégios” de todos os grupos profissionais e até sobre os das populações de certas localidades, como aconteceu recentemente com a sua denúncia em matéria de financiamento dos transportes urbanos de Lisboa e Porto, Vital Moreira já tinha chamado a atenção para essa discrepância. O Governo parece tê-lo finalmente ouvido também neste ponto.
O curioso é ver como certos jornalistas e o seu Sindicato – José Manuel Fernandes assevera que se trata de uma posição ultraminoritária (honra lhe seja feita também pela sua louvável coerência!) - têm reagido. Indignam-se com a retirada do “privilégio” e afirmam que a sua profissão é de muito desgaste. Pois é! Também a minha profissão é de muito desgaste, e, quando o afirmo, não estou a brincar, por muito pouco a sério que seja levado. E os professores também têm uma profissão de grande desgaste, segundo asseveram. E os polícias. E os militares. E por aí fora. Todos os grupos profissionais exercem funções de grande desgaste.
De maneira que os jornalistas ultraminoritários que invocam o grande desgaste da profissão (nos quais se deve incluir a jornalista Maria Antónia Palla, mãe do ministro da Administração Interna) têm, afinal, esta particularidade: são iguaizinhos aos outros todos quando se trata de reagir ao ataque dos seus “privilégios”.

Publicado por Artur Costa
http://blogsinedie.blogspot.com/2006/11/os-privilgios-dos-jornalistas.html