domingo, novembro 12, 2006

A «soberba» do Poder

Por: Luís Ganhão*

Não sei se a adesão à greve na Função Pública foi elevada, conforme anunciado pelas estruturas sindicais, ou diminuta, segundo o Governo, na certeza, porém, que gostando de ver em ambas as partes pessoas de bem, não deixa de ser com mágoa que constato que uma delas estará, escandalosamente, a mentir, o que diz da degradação a que a vida política chegou.
De qualquer forma, sempre diria que, se quem fala verdade são os sindicatos, será manifesto o descontentamento dos funcionários públicos para com o governo; se, ao invés, a verdade está do lado deste, já não me parece tão linear, como pretenderá o Secretário de Estado da Administração Pública, que os mesmos aceitarão e compreenderão as suas medidas para o sector, não concordando, ao invés, com a acção daqueles.
É que, se num movimento grevista, sempre poderá haver quem, não concordando com ele, a ele possa, no entanto, aderir, para não se ver, por exemplo, classificado de «amarelo» pelos companheiros de trabalho, muitos, mas muitos mais, estou em crer, poderão ser os que, com os motivos de tal movimento concordando, contudo, ao mesmo poderão não aderir, seja por dificuldades económicas (é o salário, já de si baixo, correspondente à paralisação que não entra em casa no final do mês), seja pelo receio de se desagradar ao chefe/«boy» da «cor» do governo e que, no final do ano, o classificará/determinará a sua progressão na carreira ou seja, ainda, por, apenas, não acreditarem que a greve consiga trazer-lhes os resultados práticos desejados, face à correlação de forças em presença.
Compreendo (embora. naturalmente, não aceite) a «soberba» de quem sendo rico, sempre rico foi, pois, afinal, nunca sofreu na pele os sofrimentos próprios de quem é pobre.
Já me surpreende, isso sim (ou, afinal, nem tanto, tendo presente certas facetas da natureza humana), os que tendo nascido pobres e um dia chegaram a ricos, acabam por esquecer, contudo, a sua origem e se tornam, ainda, mais «soberbos» do que aqueles que sempre ricos foram.
Comparativamente e olhando para o mundo da política, não posso deixar de observar certos actores que, quando «pobres», por na oposição, se apresentam de «esquerda» e com uma cultura humanista subjacente à mesma, chegando, até, a ser mais marxistas que o próprio Carl Marx; mas, uma vez chegados ao «galho do Poder», tornam-se mais «soberbos» que o genuíno político de direita!
Caso, aparente, do mencionado Secretário de Estado, que apresentando um diminuto grau de adesão à greve na administração pública, logo daí se permitiu tirar conclusões favoráveis ao governo a que pertence e contrárias aos sindicatos, conclusões que tal grau de adesão, mesmo que verdadeiro, por si só, como vimos, não permitirá – a não ser que ditadas pela «soberba» do Poder.
* Advogado

6 comentários:

Anónimo disse...

Fiz greve! E farei sempre que tenha que lutar pelos meus direitos. É certo que quando vier o ordenado com menos dois dias de salário vai doer! Vai doer e bem pois já agora dói e bem esticado... mas quando faço greve faço-a com a convicção de que um dia eu ou outros poderão lucrar com estas contestações. Não faço greeve por fazer como alguns colegas o fazem, (para não teres que assegurar o serviço mínimo ou por ver o salário reduzido. Aprendi que é lutando que conseguimos algo.
A LUTA CONTINUA, UNIDOS VENCREMOS!

Anónimo disse...

Com o dizia o poeta. «Tu sózinho não és nada, juntos temos o mundo na mão...» Depois, adiantarei eu, ou acreditamos nas nossas razões e convicções e ousamos lutar com coragem por elas ou não acreditamos!E é esse lutar que nos dá a dignidade de sermos Homens e Mulheres de verdade!

Anónimo disse...

Geração dos direitos sociais e de práticas sociais-fascistas (ditadura do proletariado e coisas mais, com barbicha, e um pouco de che e de chá opiácio): vós que tendes reformas, vós que tendes subsídios de desemprego, vós que tendes salário mínimo, vós que tendes subsídio de aleitação, paternidade, óbito, e casamento, Acordai, acordai, pois a engorda acabou, é trabalhar para a frente com os talentos de cada um e rendê-los! É a demografia, pá!

predador disse...

Direitos sociais, não são engorda caro anónimo, ninguém tem culpa que os empresários portugueses não tenham formação e capacidade para proporcianar melhores condições de trabalho e direito sociais em sede de acordos de empresa.O grande problema é que o Governo decidiu nivelar, mas por baixo, e a isso eu não chamo nivelar, chamo destruir para reinar.
E quanto ao trabalho da Função Pública, muito haveria que dizer, mas para dizer mal da produtividade era necessário que os quadros estivessem providos. Vá-se as Repartições de Finanças , Conservatórias dos Registo Civil e Comercial e veja-se o que é trabalhar com menos efectivos,cumprindo mal, mas cumprindo com brio.Digam o que disserem e façam os estudos que fizerem já não acredito em estudos porque são uma farsa , veja-se o estudo que o Governo dizia que havia sobr o aumento de pprodutividade dos tribunais em caso de encurtamento das férias. Não havia estudo nenhum havia era um pensamento de matemática, se trabalharem mais dias aumentam a produtividade.E já se viu que não aumenta comop já se sabia.

Anónimo disse...

Conheço um caso em que uma Exma. Sra. Funcionária de uma secretaria judicial de um Tribunal de Lisboa (um muitíssimo movimentado e com milhares de processos em atraso), entra ao serviço as 10:00 e sai as 16:30. O Superior hierárquico diz-lhe sempre "não se preocupe com isso, faz amanhã..."
É necessária a implementação de regras de avaliação na função pública, em todas as áreas, pois não se pode progredir mais na carreira, sem competência, brio e produtividade. E fiscalização também às baixas fraudulentas, medida que não compreendo porque é contestada. Como diz o povo "quem nada deve, nada teme". Porque temem? Só falta quem foge aos impostos vir para a rua protestar a favor da legalização da evasão e fraude fiscais! Haja decência. Assim só perdem credibilidade e apoiantes.
A verdade, por muito que custe aos funcionários públicos, é esta: a larga maioria de quem trabalha no privado concorda e aplaude, no geral, a reforma levada a cabo pelo Executivo.
Conheço outro caso, de uma pessoa amiga, que trabalhou na função pública e neste momento encontra-se no privado, numa empresa. As palavras dela foram "agora é que trabalho a sério, antes só via mails e gravava filmes para dvd's".
Há muita boa gente muito competente, mas também há muitos que são imcompetentes e não são merecedores do cargo que têm. Por isso concordo com a generalidade das medidas.

Anónimo disse...

Exija-se responsabilidade, puna-se quem a não tem ... mas compense-se e motive-se quem a tem, porque estes também existem. E, razões para motivação, é que parecem escassear!