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CARTA ABERTA CONTRA AGUIAR BRANCO
Juízes acusam ministro da Justiça de tentativa de controlo
Os juízes estão em ruptura com o ainda ministro da Justiça José Pedro Aguiar Branco, que é acusado de ter "uma estratégia global de agressão à magistratura", segundo uma carta-aberta, promovida pela Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP).
O documento circula entre os juízes para recolha de assinaturas.Segundo o texto posto a discussão, a que o PÚBLICO teve acesso, os magistrados acusam o Governo de querer "controlar os juízes através da criação de um sistema de gestão e de promoção na carreira potencialmente intimidatório e, como tal, condicionador ou balizador das suas decisões".
E continuam: "O que interessa ao Governo é ter a possibilidade de infiltrar ao nível dos tribunais superiores juízes da sua escolha directa ou indirecta e ao nível da primeira instância magistrados dóceis, atentos e veneradores, submissos e obrigados." Os proponentes da carta consideram que esse é o objectivo que preside ao afastamento de magistrados da direcção do Centro de Estudos Judiciários (CEJ) e a mudanças no modelo de presidência dos tribunais superiores. "Quem quer controlar, começa pelo controlo da formação", refere a carta-aberta, considerando que a escolha da professora de Direito Anabela Rodrigues para a direcção do CEJ tem "um significado político". "Todos sabemos que V. Exa. quer, porque assim o exigem determinados grupos de pressão, modificar estruturalmente as magistraturas para melhor exercer sobre elas o seu controlo. Aliás, o que se passa com a independência da magistratura já o Governo teve a oportunidade de o demonstrar relativamente à independência da comunicação social", sublinham ainda os juízes, que defendem que "a justiça não é propriedade do ministro, nem dos grupos político-económicos que possam constituir a base de apoio do Governo".
Segundo a ASJP, a carta foi apresentada à associação por um "grupo de juízes associados", está a ser subscrita através da página da Internet da associação e será divulgada publicamente "no momento oportuno".
O texto afirma, ainda, que "estes primeiros meses de acção do Governo em matéria de justiça confirmam a vontade política de controlo da magistratura" e que "as constantes acusações feitas ao trabalho dos magistrados, especialmente por aqueles que pretendem ter uma justiça à sua medida, encontraram eco" no ministro da Justiça, "fazendo agora parte de uma estratégia global de agressão à magistratura".
"Os tempos, os modos e os conteúdos das acusações, agora politicamente tomadas por boas, fazem parte de uma metodologia de comunicação que visa um elevado número de objectivos" como "criar um juízo difuso de injustiça para futuras decisões sensíveis, sobretudo as que se prendem com processos mediáticos em curso" ou "tutelar a pretensa impunidade de grupos sócio-político-empresariais".
Fonte: Público (edição on-line)
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Os portugueses foram confrontados nos últimos dias com uma sondagem que visou julgar os juízes de Portugal. Numa atitude terceiro-mundista, os "media" proclamaram durante um dia, que mais de 70 por cento dos portugueses "acham" que os tribunais não funcionam e no julgamento da Casa Pia não vão fazer justiça. Uma rádio esteve uma manhã inteira no seu fórum a ouvir dezenas de anónimos revoltados com a política do país, como é habitual, ditando a sentença, em julgamento público, que todos os arguidos de tal processo iam ser absolvidos excepto o Bibi, por não ter posses para pagar a advogados de luxo e, por isso, nunca os tribunais portugueses iriam fazer justiça. Tais afirmações disparatadas, ditadas pela emoção que o caso desperta por estar relacionado com o abuso de crianças, são idênticas ao chamado Partido Nacionalista (?) que apareceu à porta do tribunal com um enorme cartaz onde se lia simplesmente: "Pena Máxima". Um dos "nacionalistas" explicou às câmaras da TV, superatentas ao "grande acontecimento", que queria penas de 25 anos de prisão para todos os arguidos. Estas são as reacções emotivas de um povo latino que dantes fazia e ditava a justiça em casa. Só que, agora, com uma comunicação social ávida de sensacionalismo e, por vezes, submetida ao poder económico, transmite-a e propaga-a através de sondagens e fóruns, tão adequados a países de terceiro mundo. Fazer justiça não é condenar ou absolver quando o leigo cidadão comum julga e lhe dá na "real gana". Os juízes, técnicos de direito, coadjuvados por magistrados do Ministério Público, advogados e outros juristas de nomeada, é que condenam quando há provas inequívocas produzidas em julgamento e absolvem quando não existem ou são insuficientes. E mesmo quando essas provas não são conclusivas os juizes têm de aplicar o princípio de direito secular "in dubio pro reo", isto é, havendo dúvidas, favorece-se sempre o arguido e iliba-se da sua responsabilidade. E um povo civilizado deve sempre confiar no poder judicial para julgar e deixar apenas os juízes fazer justiça e não as sondagens ou fóruns mais ou menos parciais e tendenciosos dos "media".
José Lacerda e Megre - Ponte da Barca
Fonte: Público (edição impressa)
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Tribunais estão na infância da tecnologia
Política do Governo é dúbia. Por um lado aprova plano para a justiça na sociedade de informação, por outro, extingue gabinete de modernização-
Os tribunais portugueses ainda estão na infância no que diz respeito a tirar partido da aplicação das novas tecnologias para aperfeiçoar a celeridade e a eficácia da justiça. Existem apenas programas específicos aplicados a jurisdições próprias, mas não há nada que os integre numa perspectiva global, com o objectivo de servir melhor o cidadão.
H@bilus, Hermes, GEPSE e STIAF são siglas que correspondem a aplicações informáticas localizadas. Mas ainda antes de podermos falar em sistemas desenvolvidos com o objectivo de ganhar eficácia, temos de falar de computadores. E estes só foram instalados nos tribunais portugueses, no ano 2000. Todos com ligação à Internet e conectados em rede local e alargada - com o Ministério da Justiça e o Instituto das Tecnologias de Informação na Justiça - concluída em 2001.
Voltando às siglas. O H@bilus foi desenvolvido pela Divisão de Informatização dos Tribunais, em 2000, com o objectivo de facilitar as acções desenvolvidas pelos oficiais de justiça, nas secretarias dos tribunais. No ano seguinte foi instalado em todos os juízos cíveis e em 2002 estendeu-se aos 317 tribunais de primeira instância. Esta aplicação disponibiliza um amplo número de modelos de actos de secretaria; está preparada para receber documentos por via electrónica; permite a consulta de bases de dados; e possibilita a consulta da distribuição e diligências online através do site www.tribunaisnet.mj.pt.
O Sistema Informático dos Tribunais Administrativos e Fiscais (SITAF) é a jóia da coroa no que diz respeito à aplicação das novas tecnologias na justiça portuguesa e o Tribunal de Mirandela, em Trás-os-Montes, o exemplo mais flagrante do que a informatização em sentido lato pode beneficiar a justiça.
Fonte: A Capital (edição impressa)
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Governo extingue modernização
O Gabinete de Auditoria e Modernização (GAM) do Ministério da Justiça, criado em 2001 por António Costa para monitorizar várias reformas e modernizar a justiça, foi oficialmente extinto, por razões de racionalidade de custos. O decreto-lei que decide a sua extinção já foi aprovado e aguarda apenas a promulgação para ter efeitos em Janeiro do próximo ano.Mas esta não é a primeira vez que este organismo, tutelado pelo secretário de Estado da Justiça, é ameaçado de extinção. Já na altura em que Celeste Cardona assumiu a pasta da Justiça, decidiu a sua extinção, para posteriormente rever a sua decisão. Agora, a extinção já está decidida e os quatro funcionários públicos, cinco auditores e dois elementos da direcção vão ser integrados no Gabinete de Política Legislativa e Planeamento. Este ano, o orçamento para o GAM é de 150 mil contos.Ao mesmo tempo que extingue este gabinete, o Conselho de Ministro aprova o Plano de Acção para a Justiça na Sociedade de Informação. Os objectivos deste plano são agilizar os registos e notariados, informatizar os tribunais com um sistema único e criar um portal da justiça.Contactado por A Capital, o Ministério da Justiça não prestou qualquer esclarecimento adicional sobre esta matéria.
Fonte: A Capital (edição impressa)
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Muitos tribunais não convidam ao trabalho
Falta de controlo na entrada de pessoas, processos deixados em balcões e corredores. É esta a realidade de muitos tribunais portugueses.
A justiça, para além de estar na rua da amargura, mora em prédios velhos, degradados e inseguros.
Os tribunais portugueses não apresentam, em grande parte dos casos, a segurança que seria exigível, nem as condições mínimas para o bom desempenho dos funcionários judiciais que lá trabalham diariamente. Estas não-condições provocam nos funcionários uma «motivação menor para o trabalho, causando até um mau ambiente de trabalho», concluiu Fernando Jorge, presidente do Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ). Por outro lado, «torna-se difícil de afirmar a credibilidade que a justiça deve mostrar», referiu Alexandre Baptista Coelho, presidente do Sindicato dos Juízes Portugueses (ASJP).
Uma questão leva à outra. A falta de espaço nos tribunais e as más condições das instalações existentes originam também uma quebra na segurança dos processos e dos edifícios. Fernando Jorge apresentou a A Capital o Palácio da Justiça como um exemplo do que não deve acontecer nos tribunais. «Não há sítios onde colocar os processos, então têm de ficar em cima dos balcões, separados do público apenas por um painel de vidro fusco.» O tribunal de Oeiras parece, porém, ocupar o primeiro lugar no ranking do presidente do SFJ, uma vez que «há pessoas que têm de trabalhar "encaixotadas" entre armários, os processos estão no chão, ou em caixotes dos CTT. As condições são degradantes».
Fonte: A Capital (edição impressa)
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CASA PIA: JUÍZA PEDIU SALA DO TRIBUNAL MILITAR EM OUTUBRO
Ministérios da Defesa e da Justiça ignoraram pedido
Ana Peres pediu ao Conselho Superior da Magistratura para interceder junto de Paulo Portas e Aguiar Branco. O CM sabe que, ainda em Outubro, o CSM pediu ao Ministério da Justiça que exercesse os seus “bons ofícios” junto do Ministério da Defesa, com vista à resolução da questão, dado que o TTM é propriedade do Exército.
Mas, até ontem, segundo garantiu ao CM fonte do CSM nem Aguiar Branco nem Paulo Portas deram qualquer resposta.
Perante tal impasse, os advogados de defesa do processo Casa Pia, bem como o Ministério Público, resolveram intervir na questão e, na segunda-feira, em requerimento, solicitaram à juíza Ana Peres que o julgamento se realizasse nas instalações do Tribunal Militar.
O CM contactou o Ministério da Justiça, mas fonte do gabinete de imprensa de Aguiar Branco não quis prestar qualquer declaração.
Por parte da Defesa, fonte autorizada assegurou ao CM que Paulo Portas recebeu, ontem, o requerimento que tem, entre outros, Sá Fernandes e José Maria Martins como subscritores, e que o despachou para o proprietário do tribunal – o Exército – se pronunciar.
A mesma fonte adiantou, também, não ter qualquer informação sobre o pedido formulado pelo CSM e que, tal como o CM noticiou ontem, se o Exército aceitar ceder as instalações do TTM, estas só poderão ser utilizadas a partir do dia 31 de Dezembro.
Fonte: Correio da Manhã (edição impressa)
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PGR pede inconstitucionalidade de regras da informação médica
O procurador-geral da República, Souto Moura, solicitou ao Tribunal Constitucional que declare a «inconstitucionalidade de todas as normas» do despacho do Ministério da Saúde (MS), que regula o acesso dos delegados de informação médica (DIM) aos serviços do sector.
Algumas dessas novas regras - estabelecidas a 8 de Janeiro - tinham sido já contestadas pela Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma) e consideradas inconstitucionais pelo jurista Jorge Miranda. Também a Ordem dos Médicos (OM) vê algumas das normas como «demasiado radicais».
Segundo explicou ao DN Gomes Esteves, presidente da Apifarma, a associação apenas se tinha oposto à regra «que estabelece as sanções aos DIM e às empresas». Em causa estava, por exemplo, a perda do acesso ao Serviço Nacional de Saúde por um máximo de três anos, em caso de violação da legislação. «As infracções devem ser sempre punidas, mas nestes moldes é exagerado, afirmou o responsável, lembrando que a Apifarma chegou a apresentar ao ministério «uma pro- posta concreta de alteração à lei», mas, mesmo assim, o MS decidiu avançar com o despacho. «Pelos vistos, tínhamos razão», comentou.
Em Março, a associação pediu a Jorge Miranda um parecer sobre a conformidade do regulamento com a Constituição. Nesse documento, a que o DN teve acesso, o jurista conclui que as sanções estabelecidas constituem «uma privação ou incapacidade para o exercício da profissão, que só um tribunal judicial poderia decretar».
Embora a Apifarma tenha levantado só a questão das sanções, a carta de Souto Moura - de 19 de Novembro - pede a inconstitucionalidade de todo o despacho, o que abrange as outras normas, como a imposição do limite de seis visitas anuais a cada laboratório, hospital e centro de saúde.
Fonte: Diário de Notícias (edição impressa)