.Terá sido apenas simples lapso de protocolo ?Tensão entre o Presidente do STJ e o ministro da Justiça
A ausência do presidente do Supremo Tribunal de Justiça na posse de vários altos responsáveis do Ministério da Justiça foi a forma escolhida pelo Conselheiro Nunes da Cruz para exprimir o seu desagrado pelo modo como o gabinete de Alberto Costa o convidou. A falta de comparência do presidente do Supremo Tribunal de Justiça, que é a quarta figura na hierarquia do Estado, ficou a dever-se ao descontentamento com que acolheu a forma como foi convidado para participar, através de um fax remetido ao fim da noite da passada quinta-feira, subscrito pelo chefe de gabinete do ministro da Justiça.
Na manhã de sexta-feira, quando lhe foi mostrado o convite, o conselheiro Nunes da Cruz solicitou ao seu chefe de gabinete para contactar o seu homólogo do MJ, exprimindo o seu descontentamento. Na origem do protesto estava um fax, análogo ao que foi remetido para outras dezenas de individualidades, dirigido ao presidente do STJ, referindo que "sua excelência o ministro da Justiça convida V. Exª... "
O ministro Alberto Costa ainda tentou emendar o "lapso", subscrevendo pelo seu punho um convite formal, que foi entregue no STJ, na tarde de sexta-feira, mas a iniciativa não foi suficiente para demover Nunes da Cruz a não comparecer na cerimónia. Um gesto que assume significado numa conjuntura em que é de crescente crispação o relacionamento entre o gabinete de Alberto Costa, o presidente do STJ e do Conselho Superior da Magistratura, e com outros sectores da Magistratura Judicial e do Ministério Público.
O "incidente diplomático" é explicado como um lapso por responsáveis do Ministério da Justiça, que justificam o "lapso de protocolo", como lhe chamam, por uma falha no tratamento da folha de texto do convite. Num documento assinado pelo chefe de gabinete de Alberto Costa foi colocado como destinatário o presidente do STJ, que é a quarta figura do Estado.
"Quisemos ser tão expeditos que endereçámos mal o convite", explicou um elemento das relações protocolares do MJ. "Foi mesmo um lapso", acentuou. Esta explicação parece, ao que apurou o PÚBLICO, não estar a arrefecer os ânimos e o diluir a controvérsia. Tal favorece o incremento da crispação entre o MJ e os magistrados, numa conjuntura em que dificuldades orçamentais entorpecem a acção da justiça, de que é o último exemplo a falta de verbas para pagar a peritos e traduções de factos comunicados por autoridades judiciárias internacionais.
in PÚBLICO, de 26.05.2005
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Blog sobre ADR
Pretende ser um espaço de informação e discussão sobre ADR (resolução alternativa de conflitos) e muito em especial sobre mediação de Conflitos.
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ADR em conferência
Decorrerá nos dias 2 e 3 de Junho de 2005, a I Convenção sobre Resolução Alternativa de Litígios.
Programa:
Dia 2 de Junho - quinta-feira
9.00 – Registo e distribuição de documentos
9.45 - Abertura
– João Tiago Silveira, Secretário de Estado da Justiça
– José Iglésias Soares, Presidente do IPAD - Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento
– António Pires de Lima, Presidente do Conselho Executivo da Concórdia
10.30 – Pausa para Café
10.45 - Os Julgados de Paz – Justiça de Proximidade
Moderador: Filipe Lobo d’Avila, Director-Geral da Administração Extrajudicial
- O Sistema Extrajudicial de Justiça nos Países de Língua Portuguesa - Jaime Cardona Ferreira, Presidente do Conselho de Acompanhamento dos Julgados de Paz;
- A Justiça como meio de Desenvolvimento - Maria Alice Vera Cruz de Carvalho, Presidente do Supremo Tribunal de Justiça de S. Tomé e Príncipe;
- A Magistratura e os Julgados de Paz - Eduardo Vera Cruz Pinto, Vogal do Conselho Superior de Magistratura;
- A Advocacia e os Julgados de Paz - João Perry da Câmara, Vice-Presidente do Conselho Geral da OA, Portugal
- O futuro legislativo dos Julgados de Paz - Joel Timóteo Ramos Pereira, Juiz de Direito
12.45 – Almoço livre
15.00 - Mediação Comunitária /Social
Moderador: Diogo Lacerda Machado, Advogado e Mediador
-Violência na Comunidade: abordagem e caminhos Juan Carlos Vezzulla, Presidente do Inst. de Mediação e Arbitragem do Brasil
- A questão das Minorias étnicas José Leitão, antigo Alto-Comissário para a Imigração e Minorias Étnicas
- O Papel da Igreja na Mediação Comunitária / Social Padre João Seabra, Docente na Universidade Católica Portuguesa
- A Mediação Vítima-Agressor Carlota Pizarro de Almeida, Assistente da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa
Dia 3 de Junho - sexta-feira
9.30 - A Resolução de Conflitos: Mediação, Conciliação ou Arbitragem
Moderador: Bastonário António Pires de Lima, Presidente da Concórdia
- Raúl Araújo - Bastonário da OA, Angola
- Jorge Fontoura – Representante da OA, Brasil
- Carlos Veiga - Bastonário da OA, Cabo Verde
- Armando Mango - Bastonário da OA, Guiné Bissau
- Jorge Neto Valente – Presidente da Associação dos Advogados de Macau
- Carlos Alberto Cauio – Bastonário da OA, Moçambique
- Rogério Alves – Bastonário da OA, Portugal
- Aristides Salvaterra - Presidente da Assoc. dos Advogados de São Tomé
11.45 - O Projecto de Rede de Centros de Conciliação e Mediação de Conflitos no Espaço de Língua Portuguesa - Miguel Cancella d’ Abreu, Secretário Geral da Concórdia
12.00 - Sessão de Honra
- Diogo Freitas do Amaral, Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros
- Joaquim Chissano, Presidente da Convenção
12.30 – Almoço livre
16.30 – Conflitos Internacionais (Óbidos)
Moderadores: Fernando de Sousa, Director do CEME – Centro de Estudos e Mediação de Conflitos e José Manuel Barroso, Jornalista e Dir. da Lusa
- Jamisse Taimo – Reitor do Inst. Sup. de Relações Intern. de Moçambique
- Luís Monteiro da Fonseca, Secretário Executivo da CPLP
- José Luís Pinto Ramalho, General, Dir. do Inst. de Altos Estudos Militares
- Maria Munnè, Mediadora, Docente na Universidade de Barcelona
18.00 – Assinatura em Óbidos do Protocolo entre o Centro de Estudos do Conflito (CEC) e a Fundação Joaquim Chissano
18.15 – Encerramento
- Telmo Faria, Presidente da Câmara Municipal de Óbidos
- Alberto Costa, Ministro da Justiça
- Joaquim Chissano, Presidente da Convenção.
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Advogados exigem a eliminação dos Julgados de Paz
Advogados de todo o País consideram Julgados de Paz um "nado morto
Os advogados portugueses reclamam a "eliminação dos Julgados de Paz" e "repudiam "veemente as alterações anunciadas pelo Governo relativamente ao regime das férias judiciais no que tange à redução ao mês de Agosto".Estas reivindicações, agora divulgadas, resultaram das conclusões dos trabalhos da V Convenção realizada pela Ordem dos Advogados (OA) no passado fim de semana, onde estiveram representadas todas as delegações daquele organismo espalhadas pelo País.
É a primeira vez que, de modo formal, a OA exige o fim dos Julgados de Paz, embora, desde 2002, tenham sido muitas as críticas negativas sobre aquela instância de resolução de conflitos. Desta vez, porém, a Convenção foi um espaço privilegiado de ataques. "A introdução dos Julgados de Paz duplicou estruturas, encargos e poderá ser altamente lesivas da saúde dos senhores magistrados aí colocados, pois o tédio conduz a estados depressivos", disse o representante da delegação da OA de Tondela, incidindo a sua crítica sobre a pouca produtividade daquelas estruturas.
"Pelas estatísticas conhecidas, revelou-se a experiência um enorme fracasso, sem qualquer adesão por parte dos cidadãos, atestou", concluindo "São um nado morto."
Para os advogados de Castro D'Aire "o dinheiro gasto com os Julgados de Paz seria, porventura, mais útil se gasto em mais e melhor equipamento para o Tribunal da Comarca", garantindo "Entre Justiça e Justiça alternativa só se opta pela segunda quando a primeira não seja realizável."Estas afirmações foram secundadas por outras delegações, acabando transpostas nas conclusões finais dos trabalhos, resumidas numa espécie de sentença.
"Eliminação dos Julgados de Paz". Estas pequenas instâncias de resolução de conflitos, criadas para promover uma " justiça de proximidade", começaram a ser implantas no início de 2002. A sua competência é exclusiva a acções declarativas que não excedam a alçada do tribunal de primeira instância, ou seja, até 3741 euros, podendo julgar muitas outras pequenas querelas. Depois de uma fase experimental, foram-se alargando, abrangendo hoje cerca de um milhão e 500 mil pessoas, distribuídas por 25 concelhos e 468 freguesias. No entanto, estatísticas vindas a publico o ano passado revelaram que a média era de dois processos por mês por cada um dos oito juízes colocados nos julgados de paz de Lisboa, Seixal, Oliveira do Bairro e Gaia. A rapidez das decisões, média de dois meses, foi sempre o aspecto mais aplaudido.
Os advogados nunca deixaram de criticar tão baixa produtividade, para além de contestarem a não obrigatoriedade da sua presença naqueles tribunais, exigindo agora a sua "morte" definitiva.
Quanto às férias judiciais, a OA considera que a proposta do Governo, ao querer reduzi-las ao mês de Agosto, em nada contribuiu para os problemas da Justiça.
in DIÁRIO DE NOTÍCIAS
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A máfia dos procuradores clandestinos
Mafias - O combate contra a procuradoria ilícita parece estar perdido. "Os tentáculos dos procuradores clandestinos são fortíssimos, e formam com os serviços que os atendem de forma descarada, mesmo sabendo que responderão criminalmente como cúmplices, uma mafia quase indestrutível", queixaram-se os advogados de Tondela, apontando o dedo sobretudo aos escritórios de mediação imobiliário, local onde mais se desempenham de forma ilícita funções que são próprias dos advogados, nomeadamente a denúncia de contratos.
Crise de identidade - Autonomia, independência e liberdade são a identidade específica da advocacia. Mas há cada vez mais advogados a trabalhar em empresas e em sociedades de advogados. "A liberdade e independência destes contratados poderá estar cerceada", alertou a delegação da OA de Mafra, propondo a criação de uma nova cédula profissional. "Será uma nova profissão, tal qual o gestor se diferenciou do economista", explicou.
Desemprego - Os processos de injunção até 15 mil euros vão estar dispensados do acompanhamento de um advogado. A intervenção na acção executiva até ao valor da alçada da 1.ª instância dispensa advogado. Nos Julgados de Paz os advogados estão dispensados, tal como na realização dos actos de registo e em muitos actos notariais. "Andam a por-nos em banho-maria", alertaram os advogados de Tondela, frisando, ironicamente, que é preferível fechar os escritórios e dedicarem-se à procuradoria ilícita, sem pagamento de impostos.
Legalização do Cambão? - A lei impede que um requerente de apoio judiciário escolha o advogado - para evitar o "cambão" (advogado que se oferece ao cliente). Em contrapartida, a OA forneceu aos tribunais uma lista dos advogados disponíveis. A pessoa vê a lista e escolhe quem quiser. Inclusivamente, pode ser o juiz ou o funcionário judicial a fazê-lo. "Será que a OA legalizou o cambão?", questionaram os advogados de Vila Franca de Xira.
in DIÁRIO DE NOTÍCIAS
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Desbloquear a acção executiva
O secretário de Estado da Justiça prometeu, para a próxima semana, a apresentação de "medidas concretas" para a reforma da acção executiva, que considerou essencial para que as pendências processuais, "de que a economia depende fortemente", não se acumulem nos tribunais cíveis.
João Tiago Silveira falava na reunião do Conselho Permanente da Europa da União Internacional de Agentes de Execução e Oficiais de Justiça, reunida em Lisboa, durante a qual António Gomes da Cunha, presidente da Câmara dos Solicitadores, lembrou um anteprojecto de alterações ao regime de acção executiva, da responsabilidade de António Costa, ministro da Justiça no primeiro Governo de António Guterres, que, apesar de publicado, não teve seguimento. A reforma da acção executiva tornou-se uma realidade no tempo de Celeste Cardona, ministra da Justiça do Governo PSD/PP.
Gomes da Cunha elogiou esse passo de António Costa, apesar de ter ficado em banho-maria. Ao actual ministro da Administração Interna se deverá o "grande impulso para a reforma da acção executiva" que, após o resultado de um estudo feito pelo Observatório Permanente da Justiça, "retirou a ideia de que havia que simplificar esse processo e travar o crescimento das dívidas, e também entregar o processo executivo a entidades não judiciais, de natureza pública administrativa ou privada", defendeu. Ou seja, "enquanto não houvesse litígio, os actos executivos correriam fora dos tribunais".
O secretário de Estado da Justiça lembrou que a reforma entrou em vigor sem terem sido criados as secretarias e os juízos de execução, pelo que o Governo, disse, "está a avaliar e a elencar todos os problemas" que se prenderão "com os bloqueios às acções executivas".Segundo João Tiago Silveira, o Governo pretende criar as "condições infra-estruturais", e não apenas a nível da legislação, "para que a lei existente possa ser cumprida".
Aos "solicitadores de execução", figura entretanto criada, "serão dadas as condições materiais para que a reforma seja de facto um factor de desenvolvimento", prometeu o secretário de Estado.
in JORNAL DE NOTÍCIAS