.JULGADOS DE PAZJá estavam previstos para ser instalados este ano. Aliás, os protocolos já foram assinados pelo anterior executivo precisamente com as mesmas autarquias. Mas agora o Senhor Ministro da Justiça anuncia com pompa e circunstância, como se de alguma novidade se tratasse, «a abertura no próximo ano, de mais quatro Julgados de Paz, em Coimbra, Trofa, Santa Maria da Feira e Sintra, a juntar aos 12 existentes e prometeu alargar a rede» (cfr. notícia do JN). De qualquer modo a notícia do JN tem relevo, pois foi encomendado mais um estudo (o país está a nadar em dinheiro) ao Instituto Superior de Ciências do Trabalho e Empresa (ISCTE), com o qual foi assinado um protocolo e que deverá estar concluído até Junho do próximo ano para a "definição dos critérios para o alargamento da rede de Julgados de Paz".
Não pondo em causa a idoneidade e qualidade científica do ISCTE, quer pelo Conselho de Acompanhamento dos Julgados de Paz (através dos seus relatórios anuais que apresenta à Assembleia da República), quer principalmente pelo labor incansável, conunicados e estudos do seu Eminente Presidente, o Juiz Conselheiro Jaime Octávio Cardona Ferreira, assim como por outros que têm dedicado algum estudo à matéria (incluindo os próprios Juízes de Paz), já foram apontados repetidas vezes, quais os melhores critérios a seguir, fundados que estão na experiência prática adquirida de quem trabalha no terreno.
Mas, venha mais um estudo, pago pelos contribuintes.
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SOUTO MOURA APOIA PARALISAÇÃO NA JUSTIÇA
"O procurador-geral da República vê com agrado uma paralisação do sector da Justiça em protesto contra algumas decisões do Governo. Apesar de manifestar vontade em não se envolver no movimento sindical tendo em conta o cargo que ocupa, Souto Moura referiu ao CM que a greve anunciada pode ter efeitos negativos, mas também positivos.
“Pode ser que as várias instâncias de decisão percebam o grau de mal-estar que grassa entre os vários operadores judiciários”, disse.
A opinião do procurador-geral da República pode ser decisiva para o sindicato do sector, que só anuncia na próxima semana se vai ou não juntar-se ao protestos dos juízes e dos funcionários judiciais.
António Cluny, presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, porém, desvaloriza esse apoio, sublinhando a “total distância entre as funções de Souto Moura e a direcção do sindicato”. “O procurador não trata de assuntos sindicais e o sindicato não trata de assuntos da Procuradoria”, frisa".
in CORREIO DA MANHÃ
.SOBERANIA OU DESPREZO POR ELA
Já deu para perceber que este Governo não considera os Tribunais como órgãos de soberania. Os seus titulares, os juízes, são tratados como meros funcionários públicos de segunda ou terceira categoria. Sem direitos, apenas com dever de sacrifício e sem sequer faculdade de serem ouvidos ou de recorrerem a medidas que expressam a sua discordância, pois o Senhor Ministro da Justiça nem sequer admite possibilidade de greves (reminiscências de um passado) e o Senhor Primeiro Ministro não faz recuos (apenas contribui com avanços para o abismo caótico em que os Tribunais se estão a tornar e para um descontentamento que nada beneficia o sistema nem os cidadãos).
A este propósito, o Juiz Conselheiro do STJ, Dr. Pinto Monteiro, que até se mostrou discordante do recurso à greve - por entender que "os juízes, pela sua especial condição", não se devem por "ao mesmo nível de qualquer funcionário público", é igualmente peremptório quanto à forma como os magistrados, titulares de um poder constitucional de Estado e que deveriam ser tratados e respeitados em conformidade, têm sido aviltados por este poder executivo:
«... concordo que é absolutamente inconcebível que exista um governo que queira tomar medidas sobre a justiça em Portugal sem ouvir os magistrados judiciais e os do Ministério Público. O ministro formou uma comissão de professores e advogados para se pronunciarem sobre os problemas da justiça sem nenhum magistrado. Não é possível tomar medidas sobre a justiça em Portugal, ou em Espanha, em França ou na China, sem que se oiçam os magistrados. Não me lembro de os juízes serem tão maltratados. Este governo ou qualquer outro toma as medidas que quiser contra os juízes à vontade. Porque a esmagadora maioria do povo está contra a justiça. Os juízes são a face aparente da justiça, logo está contra os juízes.»
Extractos da entrevista concedida ao jornal «Público» de ontem (LINK) .
GOVERNO QUER A MORTE DO PODER JUDICIAL
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1. Foi outro o título, mas seria este o título que eu daria ao post do Excêntrico (link), que subscrevo e que se transcreve: "Por estes dias, já se percebeu que a justiça vai de conquista em conquista até à decorrada final.
Agora até a formação de magistrados vai passar a ter "avaliação internacional".
Nunca vi uma tão clara assunção da incompetência de um país na formação de um dos seus pilares fundamentais.(A menos que, por exemplo, se trate de estruturas da especialidade institucionalmente partilhadas ao abrigo de acordos internacionais, ou algo do género, ou algo assim, e ainda assim...).
Mais. Veja-se os sinais, as decisões que se vão implementando, desde a estapafúrdica solução para as férias judicias até às anémicas soluções para a acção executiva, passando pela omissão, sobretudo aqui, a omissão da verdadeira reestruturação que se impõe e cujo diagnóstico há muito tem vindo a ser feito e sistematicamente ignorado pelo poder legislativo e executivo.
A quem interessa a manutenção desse 'staus quo'?
Como é que se cumpre o Estado de Direito e a separação de poderes se o poder judicial está a ser asfixiado pelo poder executivo e coartado dos elementos que o definem por excelência como órgão de soberania, ou seja, directamente ligado à soberania, como poder próprio e originário do Estado?
O que vai ser deste país se um dos seus pilares, no jogo do 'check and balances' institucional, está de tal modo enfraquecido e vilipendiado que ameaça ruptura, ferido na sua própria independência e imparcialidade?"
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2. O mesmo autor, escrevendo em comentário ao post de José António Barreiros na Patologia Social (link), reitera: «(...) Infelizmente, e isso também no domínio da opinião pública, a derrocada em matéria de justiça tem antecipado bode expiatório: Os magistrados.
Nunca, como hoje, se percebeu que a democracia portuguesa é um arremedo de democracia.
O princípio da separação de poderes, essencial ao equilibrio institucional e à estabilidade nas instituições para o seu bom funcionamento e desempenho, é actualmente retórica, esvaziado que foi do seu conteúdo essencial.A queda da justiça, entre o mais, pela mão de gentalha política, incompetente, vai arrastar Portugal para o fundo dos fundos.
A menos que pessoas de bem e de bom senso tomem conta do leme, urgentemente».
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3. É exactamente assim, como temos aqui por diversas vezes exemplificado e fundamentado. Mas a maioria anda entretida. Até um dia em que queiram exercer os seus direitos e garantias e já não o possam fazer.
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GOVERNO INSTALOU JUÍZOS ... SEM JUÍZES !
"Apesar de a reabertura dos tribunais ter ficado marcada pelo arranque de dois novos juízos de execução (cobrança de dívidas), em Lisboa e Porto, em termos práticos a medida não deverá contribuir para a celeridade dos processos, já que não foram designados novos juízes para o cargo.
A apreciação dos 140 mil processos pendentes, a que vêm juntar-se, entretanto, mais 15 mil novos processos recebidos durante as férias judiciais, vai ser feita pelos mesmos juízes. Quando no passado mês de Junho o Conselho Superior da Magistratura (CSM) elaborou o movimento anual de juízes, o Ministério da Justiça (MJ) foi contactado para dizer se pretendia designar magistrados para estes novos tribunais, mas como a resposta nunca chegou, o movimento ignorou a situação".
Pergunta provocatória: Estaria porventura o governo a conjecturar nomear para esses lugares, mais algum militante do partido que o apoia, cuja independência e isenção nunca ninguém poderia sequer duvidar, razão por que nem sequer se dignou dar uma resposta ao Conselho Superior da Magistratura - apesar de instado para o efeito ?
in PORTUGAL DIÁRIO (LINK) .
MOÇÃO SOBRE O ESTADO DO SISTEMA DE JUSTIÇA
Os Advogados do distrito judicial de Coimbra aprovaram uma moção (cfr. link) em defesa da Cidadania e do Estado de Direito. Ali se escreve: "(...) Sentimentos de revolta, de impotência, de desespero, de insatisfação, mas vontade de lutar, de transformar, de reformar, enfim, de contribuir para a construção de um melhor e mais eficaz sistema judicial, efectivamente ao serviço do cidadão e das empresas.
Dizer-se hoje que a Justiça está em crise é um lugar comum. Mas mais grave ainda do que a crise do sistema é a guerra que nele se instalou, é a falta de visão estratégica, é a falta de um programa de acção que inverta o caos que nele implantou.
(...) Não se realiza a justiça afastando os cidadãos dos tribunais, não se promove o investimento com a criação de dificuldades na cobrança de créditos.Enfim, não se promove o exercício da cidadania com uma visão economicista da política da justiça, muito menos através de medidas demagógicas.
(...) O sistema está deprimido, arrastando nessa depressão os diversos operadores, conduzindo a uma ineficácia que prejudica o exercício da cidadania e o normal desenvolvimento da actividade económica. Existe demasiado desperdício no governo da administração pública que deveria ser canalizado para um investimento verdadeiramente produtivo nesse bem essencial, em qualquer estado de direito democrático, como é a Justiça.
(...) Os ventos que vêm soprando, de diversas direcções, são gélidos, visando entorpecer o exercício livre e independente da advocacia ao serviço da cidadania.Criam-se institutos e instituições que visam afastar os cidadãos e as empresas dos advogados, únicos profissionais com conhecimentos técnico-científicos adequados a prestar o necessário e devido aconselhamento em todas as circunstâncias da sua vida jurídica.Exemplo paradigmático disso mesmo são, designadamente, a constituição de “empresas na hora”, as injunções, os julgados de paz, os divórcios por mútuo consentimento que, como se sabe, são, actualmente, da competência das Conservatórias do Registo Civil.
Não se discute a desformalização e desburocratização que se alcança com a sua criação, mas verifica-se a total falta de informação e desprotecção de quem a eles recorre, dada a desnecessidade de intervenção de advogado. Por outro lado, a visão economicista da Justiça, cuja máxima é: “queres exercer os teus direitos, paga para isso”, tornou incomportável para a maioria dos cidadãos e das pequenas e médias empresas o recurso aos tribunais e o correspondente acesso ao direito e à justiça. (...)"
Sugere-se a leitura integral da moção, que apresenta casos bem concretizados das legítimas preocupações dos Advogados do C.D.Coimbra da Ordem dos Advogados.
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V CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DO WORLD MEDIATION FORUM
PRESS RELEASE:
Forum Mundial de Mediação, Crans Montana, Suiça 9-11 de Setembro 2005.
«O anterior Presidente de Moçambique, Joaquim Chissano, chefiou a Delegação Conjunta do Espaço de Língua Portuguesa que esteve presente no V Forum Mundial da Mediação, que se realizou em Crans Montana, na Suiça, entre 9 e 11 de Setembro.
A delegação integrou Leonardo Simão, antigo Ministro dos Negócios Estrangeiros de Moçambique e actual Director Executivo da Fundação Joaquim Chissano, Carlos Tembe, Presidente do Município da Matola, Tomás Mabuiangue, Assessor do Gabinete de Joaquim Chissano e os portugueses, Diogo Lacerda Machado, antigo Secretário de Estado da Justiça de Portugal. Conceição Oliveira, ex-Directora Geral da Administração Extrajudicial do M. Justiça, Miguel Cancella de Abreu, Secretário Geral da Concórdia – Centro de Conciliação e Mediação de Conflitos, Fernando Tonim, Vice Presidente da Studium – Associação Santomense Promotora de Desenvolvimento e Investimento e Fernando de Sousa, Director do CEME de Óbidos.
Estiveram ainda presentes altos representantes do Ministério da Justiça de Portugal, da AMC - Associação de Mediadores de Conflitos e um conjunto de mediadores de conflitos portugueses.
A língua portuguesa foi aceite pela primeira vez como língua de trabalho neste 5º Fórum mundial.
O antigo Presidente de Moçambique abriu os trabalhos na Sessão de Honra Plenária, referindo-se à sua experiência de quase 20 anos como Estadista em Moçambique e do seu empenho na busca progressiva da estabilidade política, do desenvolvimento económico e da resolução pacífica de conflitos, trabalho que pretende continuar a desenvolver agora através da Fundação recém criada como instituição promotora da Construção da Paz, do Desenvolvimento e da Cultura em África e no Mundo.
No seu discurso o Presidente Joaquim Chissano referiu-se detidamente ao projecto da criação da Rede de Centros de Conciliação e Mediação de Conflitos no Espaço de Língua Portuguesa que ganhou expressão no Protocolo proposto pela Fundação e que foi subscrito por várias Ordens de Advogados, pela Concórdia e pela Studium em Óbidos no dia 3 de Junho de 2005.
O Presidente Joaquim Chissano acompanhou os trabalhos, participando activamente em várias sessões e Workshops sobre “A Mediação de Conflitos uma Nova Cultura de Mudança”.
Contando, entre outros, com o apoio de várias delegações ibero-americanas, Portugal conseguiu eleger pela primeira vez uma Mediadora para o Comité de Direcção do Forum Mundial de Mediação (W.M.F.) órgão de topo, que é integrado por onze elementos. Trata-se de Maria da Conceição Oliveira, que foi a primeira Directora-Geral da Administração Extrajudicial do Ministério da Justiça, responsável pela introdução em Portugal da Mediação de Conflitos nos Julgados de Paz.
A Delegação do Espaço de Língua Portuguesa do W.M.F. propõe-se promover a apresentação da candidatura de um dos países do espaço da Lusofonia para organizar a 6ª. Conferência Internacional do Forum Mundial da Mediação em 2007 que reúne os maiores especialistas de todo o Mundo em Mediação de Conflitos e meios alternativos de Resolução de Litígios.
Estas iniciativas de Portugal e dos espaços de língua portuguesa tiveram origem na 1ª. Convenção da Resolução Alternativa de Litígios (RAL) organizada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros e da Justiça em Junho passado, com a iniciativa privada das Associações como a Concórdia, a Studium e a Ceme (Óbidos).
O Presidente Joaquim Chissano, que se encontra na Conferência do Milenium na ONU, tem sido nomeado representante especial do Secretário-Geral Kofi Anan para missões de mediação e manutenção da paz em África, tal como aconteceu recentemente na Guiné-Bissau, durante o período eleitoral, em que a sua intervenção foi determinante».
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RECONHECIMENTOS DIGNOS
** O Juiz Conselheiro jubilado Dr. Armando Leandro é o novo presidente da Comissão Nacional de Protecção das Crianças e Jovens em Risco.
** A Sociedade Portuguesa de Criminologia, que tem por objecto a realização de investigação fundamental e aplicada, tendo em vista a produção de conhecimento interdisciplinar sobre o fenómeno criminal, e a divulgação de informação e realização de acções de formação para os profissionais que trabalham no domínio que constitui objecto da investigação, já tem novos órgãos sociais. Preside à direcção o Prof. Doutor Cândido da Agra, à assembleia geral o Prof. Doutor Jorge de Figueiredo Dias e ao conselho fiscal o Juiz Conselheiro Dr. Simas Santos.
Informações extraídas do Blog CUM GRANO SALIS