quinta-feira, outubro 12, 2006
O Anónimo
quarta-feira, outubro 11, 2006
Um novo conceito: as "massas processuais"
Os poderes ocultos
terça-feira, outubro 10, 2006
Sacrifícios só para os outros (5)
Assembleia da República comemora adesão à Europa com almoço de luxo«A Assembleia da República (AR) comemora, depois de amanhã, os 30 anos de adesão de Portugal ao Conselho da Europa, com uma cerimónia quase privada: não vêm nenhum dos altos dirigentes da mais antiga organização política do continente europeu, nem qualquer convidado dos 46 países que a integram, mas apenas 50 pessoas, todas portuguesas, ligadas ao Parlamento, ao Conselho da Europa ou, de alguma forma, à data histórica que já se cumpriu a 22 de Setembro, para uma festa que, ainda assim, custará mais do dobro do que é hábito.
Segundo avança a edição desta terça-feira do jornal Público, depois de uma sessão comemorativa, cujo programa não está divulgado na página oficial da AR (ao contrário do que acontece com todos os outros eventos promovidos pelo Parlamento), será servido um almoço de luxo, que custará 147,33 euros por pessoa, mais IVA. Muito mais que os 50 euros cobrados, em ocasiões especiais, pela empresa que gere o restaurante do edifício novo da AR.
A «experiência gastronómica» é proporcionada pelo chef Luís Baena, um dos mais premiados cozinheiros portugueses a nível internacional e um velho «amigo» de Jaime Gama, responsável por inúmeros serviços de catering para o Protocolo português, quando o actual presidente da AR era ministro dos Negócios Estrangeiros.
A efeméride está discretamente assinalada no site do Parlamento na rubrica Agenda do Presidente, quase como se se tratasse de uma cerimónia externa à AR, quando, na verdade, é uma iniciativa organizada pelo próprio presidente, Jaime Gama, e que decorre ali mesmo, no Palácio de São Bento.
Apesar deste facto, o Público recorda que não há informação complementar, nem qualquer comunicado à imprensa, sendo que mesmo os grupos parlamentares não dispõem de informação sobre o assunto. Nem sequer os membros do conselho de administração, responsáveis pelos dinheiros do Parlamento.
Em declarações ao Público, a secretária-geral da AR, Adelina Sá Carvalho, rejeita o carácter restrito das comemorações, garantindo que «houve a preocupação de convidar o maior número possível de pessoas», tendo sido «enviados cerca de uma centena de convites.» No entanto, cerca de metade ficaram sem resposta ou tiveram resposta negativa.
No entanto, o ponto alto das comemorações é, assumidamente, o almoço volante que se seguem às intervenções, com Adelina Sá Carvalho a comentar que «temos pena que não haja mais pessoas a usufruir desta experiência gastronómica [que será proporcionada pelo chef Luís Baena]».
O cozinheiro que integrou, por exemplo, a equipa que assegurou o catering para os 4000 convidados da cerimónia protocolar de transferência de Hong Kong à China, em 1997, foi convidado directamente pela secretaria-geral da AR para apresentar uma proposta de serviço para um número inicial de 100 pessoas, sem que os serviços tenham observado a habitual regra de consultar três empresas existentes do mercado, com o objectivo de conseguir o melhor preço. «Não é matéria sujeita a consultas, porque não existe um caderno de encargos», recorda Adelina Sá Carvalho, considerando que «é como comprar um quadro. Se quero aquele quadro, não peço preços a artistas diferentes.»
Por outro lado, como o evento custará um preço total abaixo dos 12.500 euros, não foi sequer necessária uma aprovação do Conselho de Administação da AR, que, por sinal, reúne na véspera da comemoração».
Pacto põe corruptos ... em liberdade
Crimes de colarinho branco ficam de fora da prisão preventiva De fora da prisão preventiva ficarão ainda os crimes de passagem de moeda falsa, contrafacção de valores, alguns tipos de furto qualificado, a insolvência danosa, no caso em que a falência chega mesmo a ser decretada, e a administração danosa de uma empresa do sector público ou cooperativo. Também estes são puníveis com pena de prisão até cinco anos. E o anteprojecto do novo Código Penal, também elaborado pela Unidade de Missão, não prevê qualquer alteração à medida da pena, nem nestes casos nem nos dos crimes de colarinho branco.Instado pelo DN a comentar tal alteração, um membro da Unidade de Missão para a Reforma Penal confirmou que crimes como o tráfico de influência e a corrupção activa ficam de fora da prisão preventiva, "excepto no caso de associação criminosa", esclarecendo que, perante a necessidade de se definir um novo marco para a preventiva, a Unidade acabou por optar pelos cinco anos. E foi esta a proposta que seguiu no anteprojecto do CPP entregue ao Governo e já aprovado na generalidade em Conselho de Ministros».
segunda-feira, outubro 09, 2006
António Martins em entrevista
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Boletim de Jurisprudência do TRP
Laborinho Lúcio em entrevista
sexta-feira, outubro 06, 2006
Frase para o fim-de-semana

A natureza do Estado e as respectivas "figuras"
Houve um tempo em que pensava, como afirmava Lenine, que o Estado era um instrumento de dominação de classe, daquela que, num determinado momento, fosse detentora do Poder.
Um dia, porém, ouvindo explanar sobre a matéria um comissário de polícia, este afirmava que, num regime democrático como o nosso, o Estado, afinal, seríamos todos nós, cidadãos, numa vivência de direitos e obrigações iguais.
Devo dizer que achei bonita a explanação e me predispus a aderir à ideia.
Só que agora observo, confuso, que há quem se indigne com o facto de se trazer a público imagens degradantes de «figuras» do Estado, o que fará pressupor (julgo eu) que o Estado, afinal, não seremos todos nós sem discriminação, mas nele haverá as «figuras», com direito a cosmética de imagem e os demais, cuja degradação de imagem se poderá, sem constrangimentos, publicitar, tipo «Xico da Avó apanhado, degradantemente, a furtar corta-unhas em supermercado»!
* Advogado
Assim vai a «corte»
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Ia dizer que havia, cada vez mais, dois poderes a afirmarem-se no país, aos quais, os demais, se têm vindo, docilmente, a submeter, o económico e o jornalístico, mas como este, por sua vez, é cada vez mais dominado por aquele e se vem transformando em seu «cão de caça», como lhe chamaria o próprio jornalista francês Serge Halimi, ficará, pois, como único titular, o económico.
Uma coisa que me tem dado gozo/tristeza observar, é como agentes dos demais poderes se procuram, num reconhecimento/aval da sua crescente importância, servir da imprensa para conseguir os seus objectivos, nem que seja de mera promoçãozita pessoal, de vaidosamente verem a sua imagem nos «média», bajulando-a, sempre disponíveis e babados para entrevistas, comentários e participações em programas vários, por mais frívolos que sejam, e, depois, são «trincados» por ela!
Santana Lopes e José Maria Carilho são dois paradigmas disso, sendo que este último, qual «criancinha imberbe», só terá descoberto os «cães» quando não ganhou a presidência da capital e, vai daí, decidiu escrever um livrinho sobre as «mordidelas» que terá sofrido.
Assim vai a «Corte», que a República se irá evaporando!
*Advogado
Apontamento
«Médias» enjoativas
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Para justificar a proposta de aumento de vencimentos, no próximo ano, abaixo, mais uma vez, da inflação, de, apenas, 1,5% para os funcionários públicos, sendo que tal aumento há-de condicionar, por sua vez, como é sabido, os do sector privado, sua Excelência o Ministro das Finanças, a Bem da Nação, argumenta:
- Que os funcionários públicos têm, também, de dar o seu contributo no combate ao défice orçamental;
- Que nos últimos dez anos viram, em média, os seus vencimentos aumentarem cerca de 25%, enquanto esse mesmo aumento terá sido, em média, de, apenas, 15% no sector privado.
Quanto ao terem de dar, «também», o seu contributo para o combate ao défice orçamental, julgava-se que já o vinham fazendo há muito, quando, por exemplo, viram, em dada altura, os seus vencimentos e mudanças de índices remuneratórios, pura e simplesmente, congelados, assim como congelados viram concursos que lhes proporcionaria progressão nas respectivas carreiras.
Isto, naturalmente, para não falar do facto de sempre terem contribuído com os impostos devidos para o orçamento de Estado, ao contrário do sector privado, onde, como, igualmente, se sabe, não falta quem, oficialmente, declare ter auferido menos, por vezes, mesmo muito menos, do que aquilo que, na realidade, auferiu!
Depois, se há expressões «engraçadas», por se poderem evocar a propósito de tudo e de nada, conforme os fins e as circunstancias, a da «média» é, sem dúvida, uma delas.
Por exemplo, se um rico comer dois quilos de lagosta e um pobre nada, poderá sempre dizer-se, que, em média, os dois comem um quilo dela, ou seja, mesmo o pobre que não lhe meteu o dente, passa por tê-lo metido!
Por sua vez, há «médias» que dá jeito evocar e outras, por vezes, esconder, conforme o fim e as circunstâncias.
É o caso, também, a título de exemplo, de sua Excelência o Ministro das Finanças saber, mas, significativamente, não referir, que a «média» das habilitações no funcionalismo publico é superior à do sector privado, querendo isto dizer que, em média, os funcionários públicos investiram mais na sua formação, com os custos a tal subjacentes e por si suportados, do que no sector privado, pelo que não se deveria estranhar que, em média, possam ganhar mais do que neste sector.
Mas como já estou enjoado de tanta «média», para não dizer de Sua Excelência o Ministro das Finanças (que poderia parecer mal, embora estivesse em causa o Ministro e não a pessoa dele), por, demagogicamente, querer pôr trabalhadores do sector público contra os do privado, dividindo para reinar, fico-me por aqui a pensar como é que o dito cujo irá conciliar o aumento da idade da reforma dos trabalhadores, sejam eles funcionários públicos ou do sector privado, por um lado, com a necessidade anunciada, por outro, de se rejuvenescer o tecido laboral, uma das condições tidas como necessárias para tornar a nossa economia mais competitiva num mundo cada vez mais globalizado.
* Advogado
Corrupção
Os parasitarium jornalistófilus
Artigo da autoria de
Jorge Van Krieken, Jornalista *
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«Querem um símbolo, um expoente, um sinónimo, dos males do jornalismo em Portugal? É fácil: basta citar o nome de José Manuel Fernandes e todo o mal que se pensa sobre corporativismo dos «media», conservadorismo, atavismo, manipulação, jogos de sombras e de influência, vem-nos imediatamente à cabeça.
O jornalista – porque é de um jornalista que se trata – é um homem tão espertalhaço como manhoso. Anos a fio, esta figura de que a maioria dos portugueses nunca ouviu falar foi tecendo uma teia de ligações, de promiscuidades, de favores e de empenhos (há nomes mais feios, mas evito-os) que lhe assegurou que diariamente possa espetar na sua melena alisada e sebosa, a pena de galinha com que escrevinha fretes e recados dos que o alimentam.
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Pensará o leitor que estou a ofender o José Manuel Fernandes. Mas não. Limitei-me simplesmente a retocar e trocar o nome do que ele escreveu sexta-feira passada sobre o recém-eleito presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Noronha do Nascimento. Porque a prosa se aplicava de tal forma a JMF, não resisti a rescrevê-la. Com a usual vénia ao autor, a Cézar o que é de Cézar.
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Mas, ao contrário do juiz a quem insulta – que nada pode ordenar a um outro juiz -- este jornalista tem poder e exerce-o. Ao contrário do juiz a quem insulta e tenta humilhar num dos felizes momentos da sua vida, que lutou décadas pela dignificação da sua classe – e da Justiça – este jornalista engorda mais cada ano, malgré os despedimentos de dezenas dos seus colegas, carne para canhão.
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JMF diz que Noronha é maquiavélico por querer que o presidente do Supremo Tribunal de Justiça integre o Conselho de Estado. E fala em Montesquieu. Mas afinal, o que diz Montesquieu? Diz que são quatro os órgãos de poder do Estado: o Executivo, o Legislativo e o Judicial (e o Aristocrático, do saber e da influência, ou dos poderes fácticos, de quem JMF parece querer fazer parte).
São estes os poderes do Estado. E por serem todos eles os poderes do Estado, nada mais normal que num Conselho de Estado tenham assento todos esses mesmos poderes e não só alguns. Ou então que se chame outra coisa e não Conselho de Estado.
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Continuemos. JMF diz que o juiz se preocupa pelos salários e pelo trabalho a mais dos seus colegas. O que há de mal nisso? E JMF, preocupa-se com as condições [indignas] da boa parte dos seus colegas de profissão, jornalistas?
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Perguntar-se-à o leitor porque descrevo assim este José Manuel Fernandes. Em primeiro lugar, a essência. Onde esteve o jornalista estes anos todos em que tantos jornalistas foram e são explorados? Quando o Estado – que somos todos nós, na realidade –, se viu mortalmente ferido pelo maior e mais desavergonhado atentado contra a Democracia de que há memória após o 25 de Abril, que foi – que é! -- o processo da Casa Pia, onde
estava ele? A comer croquettes?
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Em segundo lugar, a motivação. José Manuel Fernandes insulta Noronha do Nascimento e insulta os juízes que o elegeram. E não explica realmente porquê. Mas sente-se que existe algo não explicado por detrás dos seus insultos. O que será? Não sei.
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Mas sei que os leitores merecem saber algo mais sobre alguns aspectos que enquadram o percurso deste juiz e a sua relação com alguns jornalistas.
Vamos a isso.
Estávamos no final dos anos oitenta. Noronha do Nascimento presidia à Associação dos Juízes, Cluny ao sindicato do Ministério Público, Laborinho Lúcio era ministro da Justiça e Cunha Rodrigues PGR. Cunha e Cluny evangelizavam alguns jornalistas dizendo algo como «aos senhores jornalistas cabe-lhes a enorme responsabilidade de sanção pública, já que os políticos não funcionam». Ou seja, notícias fortes, processos-crime, o que equivale a dinheiro para os jornais e jornalistas. Paralelamente às notícias que lhes davam a notoriedade como salvadores da pátria (era o tempo das mãos-limpas), sindicato e PGR negociavam aumentos salariais e melhores condições para os funcionários do Ministério Público, não sem sibilinamente divulgarem que Cavaco Silva não os queria independentes, mantendo-os pobres e mal pagos. Laborinho, ele próprio também do MP, é criticado, geme, mas dá mais poder ao MP. Dizem que Cavaco, dividido, perguntou sobre o que se deveria fazer quanto à direcção do inquérito-crime e Laborinho lhe respondeu que como nos juízes ninguém mandava, nunca se sabia de onde podia vir o tiro. E Cavaco, que gosta de ter os atiradores alinhados, dá mais poderes ao MP. Noronha do Nascimento alertava na altura para o perigo da criação de um Estado dentro do Estado, mas ninguém o escutou. Para alguns jornalistas era mais rentável ter acesso a processos...
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Nessa altura, só faltava correr com Costa Brás da Alta Autoridade Contra a Corrupção, para que os processos ficassem todos na mão de Cunha Rodrigues. Pinto Monteiro, agora PGR, bem se deve lembrar dos pormenores da altura... mas passemos em diante. Os únicos que então enfrentam Cunha Rodrigues (que ainda hoje mantém cumplicidades nos media, obviamente escrevendo sobre questões de «justiça») foram Costa Brás e Noronha do Nascimento, que demarca os juízes das estratégias comunicacionais e de poder de Cunha Rodrigues, como se demarca das políticas de Laborinho Lúcio. Mais tarde, Orlando Afonso, que lhe sucede na direcção da Associação de Juízes, seguiria o mesmo caminho de independência. Nem um nem outro ficariam com «apaniguados» na imprensa. Muito pelo contrário. Para que o leitor faça uma ideia do que se passava nos bastidores de tudo isto, na altura, Cunha Rodrigues tinha um chamado Gabinete de Direito Comparado, que ainda hoje existe, que compra e instala um sofware utilizado pela CIA e pelo FBI, (da então norteamericana Verity), permitindo-lhes organizar uma poderosa base de dados documental com milhares de páginas de processos-crime. Esse gabinete, entre muitas outras informações, sistematizou informação sobre todos os processos-crime que correm no país contra políticos. Para que serve isso? Para estatísticas... claro. Diga-se, en passant, que toda a informação investigada pela Alta Autoridade Contra a Corrupção, e que visou muitos negócios de gente ligada ao Bloco Central, transitou para a PGR...
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O certo é que a moda pegou e durante todos estes anos os media continuaram a publicar muitos processos em «segredo de justiça», rapidamente montou-se um verdadeiro negócio da denúncia, em que jornalistas sem escrúpulos são “pagos” em notícias, nunca validadas, porque isso é demasiado trabalhoso e, pior, pode colocar em causa a fonte e o «negócio». Editores sem escrúpulos ganham dinheiro e poder com isso, sem se preocuparem com a verdade nem com quem destróiem. Esta é a realidade de boa parte da “investigação jornalística” em Portugal: uma fraude.
Noronha, assim como muitos dos seus colegas, sempre esteve fora de tudo isto, deste comércio. E isso cria anti-corpos, e ainda bem que os cria, pois no momento em que começar a ter «fretes» de determinados jornalistas bem podemos todos começar a desconfiar.
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Conheço Noronha do Nascimento há quase 20 anos anos e nunca o vi manipular os media. Não dá fretes nem os recebe. O que irrita muitos dos parasitarium jornalistófilus. É um homem livre e admiro-o por isso, como a muitos dos seus colegas. E ainda bem que é criticado pela espécime referida, pois é isso mesmo que lhe augura a manutenção do seu capital de independência.
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José Manuel Fernandes tenta humilhar Noronha do Nascimento dizendo que este tem o cabelo desgrenhado? Também Einstein o tinha e o meu filho Alexandre o tem, e tantos outros, cidadãos anónimos que gostam de ter o cabelo ao vento. A diferença é que combato com prazer para que os meus filhos -- e os filhos de todos os Josés Manuéis Fernandes -- possam viver despenteados se assim o quiserem, sem serem tiranizados ou humilhados profissionalmente por esta bandeja de croquettes.
Porque estariam a perder um dos sonhos que percorro na vida: a liberdade.
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Jorge Van Krieken, Jornalista
Alentejo, 3 de Outubro de 2006»
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* Artigo publicado no Verbo Jurídico com expressa autorização do seu Autor, conhecido Jornalista de investigação, a quem se agradece a autorização concedida e se destaca pela coragem e clareza da escrita.
quinta-feira, outubro 05, 2006
Nem o cabelo escapa
Separação de poderes: questão menor e irrelevante ?!?
quarta-feira, outubro 04, 2006
Tribunal sem dinheiro para fotocópias
terça-feira, outubro 03, 2006
Rejeição (ou algo mais)
Nos últimos dias, todavia, os directores dos mais significativos jornais diários têm sobre eles escrito coisas que, até hoje, poucos se atreveram a dizer sobre o desempenho de qualquer magistrado.De um PGR, recordamos apenas, de semelhante, os diatribes raivosos que os jornais de extrema-direita “A Rua” e a “Barricada” dirigiam ao Conselheiro Arala Chaves, quando ele insistia na necessidade de continuar a perseguir judicialmente difamações e injúrias inseridas em artigos de carácter fascista ou racista que esses periódicos divulgavam.Quanto aos juízes, só no período revolucionário foi possível ler idêntica linguagem em órgãos da extrema-esquerda de inspiração estalinista – então frequentados por um desses directores –, quando os magistrados judiciais teimaram, apesar dos riscos pessoais, em manter em funcionamento os tribunais e as regras do estado de direito num caso de homicídio que aconteceu no Alentejo.
O que esses responsáveis de jornais têm escrito sobre estes dois magistrados não seria, porém, compreensível e sequer socialmente imaginável se, num outro plano de discursos, não se tivesse verificado, antes, a mais corrosiva campanha de que há memória no país contra a magistratura e os tribunais.Com efeito, até há bem pouco tempo, vinha-se assistindo à descredibilização propositada, sistemática e destemperada dos magistrados enquanto profissionais, e do poder judicial enquanto instituição, por quem devia ter responsabilidades na coesão e na articulação dos poderes do estado.
Esta campanha e o seu tom não representam, porém, assim, como alguns serão tentados a pensar, uma mera retaliação pela acção da Justiça num ou noutro processo concreto.A crítica dirige-se, de facto, à própria ideia e utilidade do sistema de Justiça que edificámos depois do 25 de Abril.Ela traduz-se, realmente, na tentativa de suplantar o paradigma constitucional, legal e judiciário, imaginado e construído para o estado social de direito, de acordo com os valores da Constituição e a primazia da soberania nacional.Num momento em que muitas das administrações dos países se converteram mais em agências de competitividade internacional dos grandes interesses económicos do que em executivos capazes de projectar e executar a Constituição e os direitos votados no Parlamento ou nos fóruns internacionais, a manutenção de um tal sistema judiciário – mesmo que relativamente ineficaz e demorado, como é, na verdade, o nosso – constitui-se, pela sua autonomia, como um obstáculo intransponível à violação livre de toda a ordem de direitos humanos e sociais e em espelho que reflecte más consciências e piores comportamentos legais e políticos.(...)»
