«ENVELOPE 9» - COMUNICADO INOCENTE OU MALICIOSO?
Por: Luís Ganhão, Advogado
Conforme se lê no comunicado da PGR, «num processo complexo, cuja estrutura organizativa implicava o trabalho simultâneo de magistrados, oficias de justiça e funcionários da Polícia Judiciária», alguém recebe e mete num envelope cinco disquetes, que, entretanto, apesar da mediatização do processo em causa, em que se discutiam na praça pública os seus mais ínfimos pormenores (como sinais de pénis ou de nádegas, já não recordo bem), nele ficam, contudo, «guardados e ignorados, sem que magistrados, oficiais de justiça ou funcionários da Polícia Judiciária tivessem conhecimento dos ficheiros que continham e os tivessem trabalhado, analisado ou descodificado».
Ignoradas, todavia, não foram tais disquetes por «dois advogados de arguidos no processo, que delas fizeram cópias em suporte informático, sendo que um deles a cedeu ao seu constituinte», como, igualmente, se lê no comunicado em apreço.
Dado o teor de tal comunicado, observador menos atento poderia seria levado a concluir que o culpado, ou culpados, pela divulgação junto da comunicação social do conteúdo das disquetes só poderia ser um, ou mesmo os dois, dos «manhosos» dos advogados e/ou o constituinte de um deles e/ou a mulher-a-dias deste…embora em relação a nenhum se tenha apurado indícios de que o terão feito (coisa que não se refere no comunicado), pois que, nesse caso, teriam sido constituídos arguidos e não o foram (apenas os receptores finais do dito conteúdo, dois jornalistas), tal como não se terá apurado indícios (o que já se refere no comunicado) em relação a magistrados, oficiais de justiça e funcionários judiciais.
Mas sabendo-se que a falta de tais indícios sobre o respectivo agente ou agentes não significa que o crime não tenha sido praticado como foi, permanece a dúvida sobre quem o terá praticado, se alguém de dentro da «estrutura» ou fora dela!
Tal com o fica a dúvida da inocência ou malícia do comunicado da PGR.
Ou estarei a raciocinar mal? Se estiver, como a vida é feita (ou deverá ser) de aprendizagem humilde e permanente ou não tivesse Sócrates (atenção, o ateniense, filho de Sofronisco, nada de confusões!) concluído que quanto mais ia sabendo das coisas e do mundo, mais constatava a dimensão da sua ignorância, grato, ficarei, pois, que me corrijam.
Por: Luís Ganhão, Advogado
Conforme se lê no comunicado da PGR, «num processo complexo, cuja estrutura organizativa implicava o trabalho simultâneo de magistrados, oficias de justiça e funcionários da Polícia Judiciária», alguém recebe e mete num envelope cinco disquetes, que, entretanto, apesar da mediatização do processo em causa, em que se discutiam na praça pública os seus mais ínfimos pormenores (como sinais de pénis ou de nádegas, já não recordo bem), nele ficam, contudo, «guardados e ignorados, sem que magistrados, oficiais de justiça ou funcionários da Polícia Judiciária tivessem conhecimento dos ficheiros que continham e os tivessem trabalhado, analisado ou descodificado».
Ignoradas, todavia, não foram tais disquetes por «dois advogados de arguidos no processo, que delas fizeram cópias em suporte informático, sendo que um deles a cedeu ao seu constituinte», como, igualmente, se lê no comunicado em apreço.
Dado o teor de tal comunicado, observador menos atento poderia seria levado a concluir que o culpado, ou culpados, pela divulgação junto da comunicação social do conteúdo das disquetes só poderia ser um, ou mesmo os dois, dos «manhosos» dos advogados e/ou o constituinte de um deles e/ou a mulher-a-dias deste…embora em relação a nenhum se tenha apurado indícios de que o terão feito (coisa que não se refere no comunicado), pois que, nesse caso, teriam sido constituídos arguidos e não o foram (apenas os receptores finais do dito conteúdo, dois jornalistas), tal como não se terá apurado indícios (o que já se refere no comunicado) em relação a magistrados, oficiais de justiça e funcionários judiciais.
Mas sabendo-se que a falta de tais indícios sobre o respectivo agente ou agentes não significa que o crime não tenha sido praticado como foi, permanece a dúvida sobre quem o terá praticado, se alguém de dentro da «estrutura» ou fora dela!
Tal com o fica a dúvida da inocência ou malícia do comunicado da PGR.
Ou estarei a raciocinar mal? Se estiver, como a vida é feita (ou deverá ser) de aprendizagem humilde e permanente ou não tivesse Sócrates (atenção, o ateniense, filho de Sofronisco, nada de confusões!) concluído que quanto mais ia sabendo das coisas e do mundo, mais constatava a dimensão da sua ignorância, grato, ficarei, pois, que me corrijam.



