domingo, outubro 09, 2005

Desmaterialização

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Este é o resultado do choque tecnológico nas eleições autárquicas de hoje: O site do ITIJ/STAPE, da responsabilidade do Ministério da Justiça «crashou» [Imagem: (c) GLQL] apesar dos inúmeros milhões gastos em equipamentos e contratos milionários com a IBM, já desde as eleições europeias (link).

Desconhece-se quem vai ou se alguém vai assumir a responsabilidade pelo crash...

Já agora, convém que aquando da tão prometida desmaterialização dos processos judiciais, não se esqueçam de, primeiro, mudarem todo o sistema eléctrico dos edifícios dos Tribunais, pois em muitos deles basta a ligação de um aquecedor ou de uma ventoínha para o sistema eléctrico «crashar» por completo. O que certamente, inviabilizará a abertura de conclusões, prolação de despachos e transferência de documentos no sistema virtual. Caso contrário, os processos ficarão mesmo desvirtualizados ... isto é, desaparecerão na totalidade ou parte deles nos sucessivos «crashes». O que, obviamente, trará maior celeridade processual...

4 comentários:

jjoyce disse...

Pois, senhores, não era suposto serem a-políticos? lol

Já agora,
faço a seguinte leitura, se me é permitido a dita 'leitura nacional': como a maior progressão eleitoral foi a do pc, ou cdu, tendo aliás um resultado estonteante na área metropolitana de Lx, posso adivinhar que o funcionalismo público está descontente e votou em forma de protesto.
Mas tal tem o valor que tem; não mais.
Cada qual com aquilo que merece: temos os politicos que merecemos assim como os japoneses ou os norte americanos.
Aqueles, os japoneses com os indices de escolaridade que têm, naturalmente que escrutinem bons politicos; já estes com uma escolaridade em geral pior que a nossa, ainda têm piores polticos que nós.
Logo, veja-se, é com Guterres que eu alinho: uma boa escola é a mater do progresso.
Uma questão estritamente jurídica?

Porque razão, genericamente, temos uma boa justiça criminal e uma má justiça cível?

verbojuridico.net disse...

Senhora Jjoyce:
Pergunta «Pois, senhores, não era suposto serem a-políticos?»
Respondo: O post («Desmaterialização») é da minha autoria, mas os comentários são da responsabilidade dos seus autores.
O post «desmaterialização» não tem qualquer asserção política, apenas opinativa e esse é um direito constitucional reconhecido a todos os cidadãos.
Além disso, este blog é da minha responsabilidade enquanto cidadão e não enquanto Juiz.
Importa, por conseguinte, separar bem as águas.
Os Juízes não são cidadãos de segunda e têm todos os seus direitos de cidadania intactos.
No mais, como é óbvio, obsto de tecer quaisquer comentários políticos, razão por que estou certo compreenderá o motivo por que não respondo directamente ao seu comentário, precisamente para evitar tecer observações de natureza política. Os meus cumprimentos.

Vítor Sequinho dos Santos disse...

Post extremamente oportuno.
Quem não sabe o que é um tribunal por dentro, pode pensar que se trata de uma simples «boca».
Mas não é!
A realidade de muitos dos nossos tribunais é exactamente aquela que o post refere!
E quando um cidadão que, por ser juiz, tem conhecimento desse facto, tem o dever de o dizer!
Ou preferem que nos calemos cinicamente e «deixemos arder»?
Já pensaram na catástrofe que é, para um cidadão, ter um processo em tribunal anos a fio - e os juízes são os primeiros a denunciar essa realidade! - e, um dia, ele «desmaterializar-se»... e voltar tudo ao princípio?

Conservador disse...

São dezenas os tribunais que não têm a electricidade em condições de segurança mínimas. Assim, a ocorrer um "apagão" os processos vão ... ... desmaterializar-se etimologicamente. O Governo da República, como outros que o antecederam em maior ou menor medida (mas em que tudo fica na mesma), demonstra ignorância das condições reais. Em 80 dias do ano deveria o Senhor Ministro vir aos Círculos Judiciais (nalguns casos pernoitar) e ver as condições em causa, fazer um levantamento urgente do parque judiciário, e após (muito após...) pensar na desmaterialização. Mas também nós Juízes deveríamos realizar um inventário completo por Círculo Judicial do que falta fazer. Poupava-se algum dinheiro da República nas viagens. Há 40 anos atrás construiam-se tribunais a pensar no futuro, hoje pensa-se em remendar. Nunca ninguém questionou o realismo com que outrora era construídos tribunais. Hoje assiste-se a algumas anedotas como a arquitecta de Lisboa que desenhou um tribunal pensando que a comarca era do Distrito de Lisboa quando era do Distrito de Bragança... Um problema de custos portanto: remenda-se ignorantemente. Ora, também nós neste âmbito, deveremos auxiliar o Governo da República e descrever as necessidades urgentes dos edifícios, nosso local de trabalho, apontando nomeadamente a capacidade eléctrica de cada edifício. Depois, bom depois, o ónus mudou...