Crime violento sobe no interior no país
O fenómeno de deslocalização da criminalidade organizada e mais violenta, dos principais centros urbanos para o interior do País, mantém-se mas em 2004 o seu crescimento foi inferior ao registado entre 2002 e 2003, soube o DN junto de fonte oficial da Guarda Nacional Republicana.
Há um ano as estatísticas e os relatórios de segurança interna indicavam que nas zonas de responsabilidade da Guarda Nacional Republicana a criminalidade organizada e violenta aumentou 17,1% entre 2002 e 2003, contra apenas 0,1% nas áreas em que a PSP detém jurisdição. Em 2004, segundo os dados oficiais apurados pelo DN, o aumento daquele fenómeno relativamente ao ano anterior foi de 0,8 por cento.A GNR tem sob a sua responsabilidade uma área equivalente a cerca de 95% do território nacional, onde reside 60% da população.Em 2003 o crescimento do nível de criminalidade global foi ali de 11,6 relativamente ao ano anterior. É um valor semelhante à média de 10% de aumento anual registada desde 1996.
O cenário alterou-se, no entanto, em 2004, com um registo de crescimento 1,1% na criminalidade global em relação a 2003. E, segundo soube também o DN, 1995, com 1%, foi o último ano em que a Guarda Nacional Republicana assinalou uma taxa análoga (1%) à de 2004.
A tendência de deslocalização da criminalidade organizada e mais violenta dos grandes centros urbanos para o interior reflecte a existência de gangs com crescente capacidade operacional e de organização. Na fase inicial de expansão deste fenómeno os gangs eram constituídos principalmente por residentes nos subúrbios dos principais centros urbanos e em zonas de exclusão social. Hoje as forças de segurança assinalam a influência dos fluxos migratórios, em particular com origem no leste europeu, com consequente recurso e utilização em Portugal de tácticas, equipamentos e outros meios considerados como "inovadores" na GNR e PSP.
A Guarda Nacional Republicana, que como referimos anteriormente tem sob a sua responsabilidade uma área equivalente a 95% do território nacional, actua em colaboração íntima com a PSP, designadamente nas áreas das informações e investigação criminal.
A crescente integração das três valências da GNR - territorial, fiscal e trânsito - nas acções de prevenção e de combate à criminalidade, segundo soube o DN, foi um dos factores que contribuiu para que o aumento da criminalidade tivesse sido em 2004 significativamente inferior ao registado no ano anterior.
Aquela integração e a metodologia de patrulha conjunta em postos com efectivos reduzidos têm ainda produzido efeitos ao nível da dissuasão e do reforço da confiança entre as populações.
In Diário de Notícias (edição impressa)
Sem comentários:
Enviar um comentário