segunda-feira, julho 17, 2006

Exames psicológicos para novos juízes

Preocupados com a personalidade dos magistrados, os juízes querem os futuros colegas submetidos a exames psicológicos de selecção antes do curso de acesso à profissão. Mais. Que escolham, logo à partida, o que desejam fazer: se julgar ou investigar - opção que poderá ser tomada imediatamente a seguir ao curso de Direito, defendendo, assim, o fim dos dois anos de interregno obrigatório entre o fim da faculdade e a entrada no Centro de Estudos Judiciários (CEJ).
Estas sugestões, que anunciam uma revolução no sector, são um contributo da Associação Sindical de Juízes Portugueses (ASJP) para a alteração da lei 16/98 de 8 de Abril, que regula o CEJ - cujo debate público foi iniciado em Maio pelo Ministério da Justiça (MJ). Numa altura em que até os taxistas são obrigados a possuir um Certificado de Aptidão Profissional, destaca-se a proposta de obrigar os candidatos à magistratura a submeterem-se a exames psicológicos de selecção, à semelhança do que acontece na carreira diplomática. Actualmente, para além de testes de Direito, os candidatos apenas são submetidos a uma entrevista.
"O elevado grau de exigência e responsabilidade inerentes ao exercício das magistraturas e a cada vez maior exposição pública dos magistrados enquanto titulares dos órgãos constitucionais que administram a justiça em nome do povo - em condições, muitas vezes, difíceis - tornam cada vez mais justificada uma efectiva e prévia avaliação das capacidades e das características da personalidade dos futuros magistrados", diz a ASJP.
Quando também se debate a necessidade de os magistrados terem formação além do direito, a proposta da ASJP é, neste campo, bastante conservadora, sem arriscar grandes alterações. Em Itália, por exemplo, exige-se um diploma universitário de especialização subsequente à licenciatura em Direito. Esses cursos, que podem ser de Economia, Psicologia, Ciências Criminais, ou outros, duram dois anos - em resposta à também maior especialização do crime.No entanto, a ASJP propõe que os estudantes possam candidatar-se ao CEJ logo a seguir à conclusão da licenciatura, advogando o alargamento do tempo de formação de três para quatro anos - na senda, aliás, do que também defende o MJ. O actual regime, em vigor desde 1999, prevê a espera de dois anos com vista ao amadurecimento dos candidatos. Acontecia, porém, que os consultórios dos advogados iam arrecadando os melhores a troco de boas remunerações. O anterior director do CEJ, Mário Mendes, já alertara em 2004 para a diminuição da qualidade dos candidatos à magistratura.A ASJP propõe que se acabe com aquele interregno, assim como com a obrigatoriedade de ser deixada para o fim da formação a opção por uma das magistraturas - a judicial ou a do Ministério Público (MP). Sugere-se a escolha logo no início, devendo os alunos receber aulas em separado. Evita-se, assim, a tendência de o MP apenas absorver os que chegam ao fim do curso com notas mais baixas.

5 comentários:

Anónimo disse...

Confesso que já começo a ficar um pouco farto disto. Sempre pensei em ser Juiz; atravesso, neste momento, o "período sabático de amadurecimento" que a lei impõe e de repente querem mudar novamente as regras; de facto, assim, a Justiça não irá muito longe.
Quanto ao mais duas palavras; concordo com exames psicológicos, não só aos candidatos a juizes mas também a alguns juízes (já que acho que muitos não têm perfil algum para o exercício da profissão). No que toca à qualidade devo referir que os exames são bastante exigentes e um excelente crivo, concordando também com o aumento do tempo de formação.
Por fim o argumento de que a espera de dois anos leva os licenciados a optarem por uma Advocacia bem remunerada não colhe, isto porque, ou muito me engano, sempre que um escritório acenar com um salário chorudo não há CEJ que aguente!

Anónimo disse...

Concordo com a criação de exames psicológicos. Corremos é o risco de vermos uma redução substancial de juízes no activo...
Quanto ao período de 2 anos de espera, conheço quem estivesse mesmo determinado em seguir Magistratura, mas, como tinham que esperar dois anos, meteram-se na Advocacia e por lá ficaram. Não são "salários chorudos", mas como que "habituaram-se" a advogar e já perderam um pouco a vontade de arriscar noutra área, noemadamente a Magistratura...
E num destes casos digo, sem problemas, que perdeu-se um grande Juíz!

Anónimo disse...

Se estes testes psicológicos têm sido introduzidos há mais tempo, provavekmente alguns dos Srs. Juízes da ASJP, que aprovaram esta medida, não estariam lá. É certo que pode-se não ter manieras nenhumas, pode-se ter uma maneira de ser e estar completamente alienada, porém basta estudar e saber um pouco de tudo aprofundadamente, e ter-se a sorte de sairem nas provas escritas a matéria que mais se domina e...já está temos um juiz!

Conservador disse...

A qualidade menor advem do ensino em geral.Em Portugal não se exige, presta-se.

Anónimo disse...

Pode ser a caixa de Pandora?