sexta-feira, abril 28, 2006

Coragem

«O país está como está não por qualquer fatalidade ou exigência dos deuses.
Portugal está assim em grande parte por culpa própria. Porque tem sido mal governado, umas vezes. Mas sobretudo por permitir e alimentar uma economia paralela que não paga impostos, que sustenta o luxo e a ostentação de uns tantos, enquanto a economia real não tem um chavo para reparar uma estrada, para pagar reformas dignas aos mais pobres, para apoiar os mas carenciados.
A classe política, por muito que lhe custe ouvir, é a grande responsável por este estado de coisas. Os partidos políticos, alguns deles e com pena nossa alguns da área do poder, perderam a sua matriz de escola política, de magistério de valores e competências, de espaços de reflexão séria para encontrar soluções alternativas quando fossem chamados a governar. Viraram, alguns deles, escritórios das jogadas de bastidores, sucursais de influências, grandes superfícies de tachos na Administração pública.
Para se defenderem fizeram passar a ideia que dizer mal dos partidos é ser contra a democracia. Estou-me nas tintas para esse paleio. É tempo de dizer, de ter coragem de o afirmar, que os grandes inimigos da democracia são os partidos políticos que funcionam assim, que se permitem comportamentos reprováveis, que afastam do seu seio todos aqueles que ainda vão tentando remar contra a maré. O que se passa nesse mundo, sobretudo quando se avizinham eleições e tachos disponíveis, é uma autêntica vergonha. E essa é a razão por que se tem vindo a afastar da vida política activa uma boa parte da classe política mais capaz, mais competente, mais séria».
LINO VINHAL, IN CAMPEÃO DAS PROVÍNCIAS

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