Muitos Portugueses, que têm dado o seu melhor em prol do País estão cansados. Cansados e desgostosos da ingratidão e da mesquinhez dos políticos e das políticas que inexoravelmente se vão sucedendo, cada vez com menor competência, mas com maior influência de interesses instalados.
O Professor Cândido Agra, ilustre especialista em criminalidade e Director da Escola de Criminologia do Porto/Faculdade de Direito, decidiu partir para a América do Norte, onde vai fazer investigação sobre o crime. Queixa-se (ver link) de que as políticas de segurança em Portugal são definidas com base em pressões da opinião pública, mediáticas ou de grupos de interesses, e não através da racionalidade baseada em estudos sobre crime e segurança.
O actor Joaquim de Almeida, dos mais ilustres e com maior sucesso internacional, cansou-se também da mesquinhez dos políticos e das teias burocráticas e decidiu-se naturalizar-se americano, só vindo a Portugal, não pelas suas belas paisagens, mas para visitar os filhos (vd. Revista Focus, n.º 295, de 14/6/2005).
Os Oficiais das Forças Armadas, representados pelo Presidente da respectiva Associação, Tenente-Coronel Carlos Manuel Alpedrinha Pires, ao intervir, como convidado, na assembleia geral extraordinária da Associação Sindical de Juízes Portugueses, afirmou que Portugal tem sido governado por "gestores medíocres" nas últimas décadas, acusando os sucessivos governantes de serem "incapazes de fazer contas certas" e "incapazes de reestruturar" as instituições tuteladas pelo Estado. "Estamos irredutíveis perante este ataque aos sectores da soberania nacional", sublinhou, alertando para a situação "muito preocupante" que se vive nas unidades das Forças Armadas, de norte a sul do país (in Agência Lusa).
Os Juízes, titulares do órgão de soberania Tribunal e os magistrados do Ministério Público, que desempenham funções de Estado na organização constitucional, também se cansaram. A maioria dos Juízes, magistrados do MP e funcionários judiciais têm trabalho muito para além do que lhes é exigível, ficando no Tribunal até altas horas da noite ou levando processos para casa, onde ficam a trabalhar até horas da madrugada, fins de semana, feriados e férias, com prejuízo para a sua vida pessoal, familiar, para a sua saúde e estabilidade física e emocional. Os políticos, todavia, não apenas não reconhecem esses sacrifícios que têm sido feitos, como ignorando o sentido social da suspensão de prazos processuais não urgentes (as chamadas férias judiciais, que não são férias dos juízes), lançam para a opinião pública a acusação que não trabalham e que é preciso reduzir esse período de pretensas "férias" para que a produtividade aumente, obviamente confiando que os Juízes, magistrados do MP e funcionários vão continuar a ser escravos e a assumir com prazer essa posição de escravatura. O escarnecimento, protagonizado por quem nunca trilhou com os seus pés num Tribunal, ou se o tiver feito, foi a coberto de grandes sociedades, e já há muito tempo, levou a que Juízes e magistrados do MP tenham deliberado deixar que o seu sacrifício inexigível seja o que mantém o sistema e, também cansados, passem a cumprir apenas aquilo para que são pagos.
Será que o destino deste País é a ditadura dos políticos ?
Será que este país vai morrer, na praia, pela ingratidão e mesquinhez ?
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