«O primeiro-ministro, José Sócrates, o ministro da Administração Interna, António Costa, e o ministro da Ciência, Mariano Gago, foram arrolados como testemunhas de defesa de Carlos Silvino, principal arguido do processo de pedofilia da Casa Pia.
José Maria Martins, advogado de ‘Bibi’, quer que Sócrates, Costa e Gago esclareçam em Tribunal o conteúdo de algumas conversas interceptadas pela Polícia Judiciária, em 2003, durante o tempo em que o telefone de Paulo Pedroso – que chegou a ser acusado de 23 crimes de abusos sexuais, mas não foi acusado – esteve sob escuta.
A defesa de Carlos Silvino alega ser muito importante para a descoberta da verdade o esclarecimento, por parte dos ministros, de alguns diálogos mantidos com o então líder do PS, Ferro Rodrigues, designadamente uma conversa em que José Sócrates se refere à separação de poderes – político e judicial – como uma “questão menor e irrelevante”.
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Comentário:
Já sabíamos que para alguém que é pós-graduado em engenharia sanitária (link), talvez nunca tenha aprendido que existe separação de poderes. Por isso, não nos surpreende que considere o executivo é o único poder - o legislativo é o seu braço direito e o judicial um incómodo a abater. Mas foi bom que finalmente ficasse escrito "preto no branco" que não apenas o pensa, como também o afirma. O que é constitucionalmente muito grave e, pior, insustentável. Aguarda-se pelo desmentido, que se não existir, ainda mais grave se torna. Por muito menos o anterior primeiro-ministro saiu de cena. Espero que seja apenas um problema de memória curta. O que duvido, infelizmente.
1 comentário:
Se Sócrates afirmou o que vem publicado, tem que ser chamado imediatamente pelo Presidente da República para esclarecer qual é a sua posição constitucional. Sendo actualmente primeiro-ministro a questão é ainda MAIOR E MAIS RELEVANTE.
Mas uma coisa é certa: a prática deste governo confirma totalmente a afirmação de Sócrates. Para ele, e também para o PSD, pois ambos assinaram o "pacto para a injustiça", o poder judicial tem que ser manietado, tem que colocar políticos a controlá-lo, pois as investigações a políticos são muito incómodas. A única maneira é mentir, descredibilizar o único suporte de isenção que o País tem e asfixiar os Tribunais e a Procuradoria Geral sem dinheiro para simples fotocópias, enquanto ele gasta 40.000 contos em despesas de telemóvel.
Estamos conversados.
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