«(...) Apesar da ligeira turbulência que se vem verificando, o Governo e primeiro-ministro sempre controlaram a maioria dos danos, com técnicas que já foram testadas, com eficácia, noutros países. Mas na semana que passou os portugueses assistiram ao primeiro fenómeno de descontrolo político deste Governo, sem que nenhum "efeito" tivesse o condão de acalmar a fúria dos eleitores e os danos assinaláveis no prestígio e credibilidade da maioria.E é nisso que se percebe que o controlo de danos e o apertado cerco mediático do Governo não chegam para esconder, ou atenuar, indefinidamente, um descontentamento que começa a avolumar-se na sociedade portuguesa.
A Educação, a Saúde, o Orçamento, as Scut e o aumento da electricidade bastaram para instabilizar todo o Governo e, mesmo com recurso à sua excepcional máquina de informação, não se livraram de disparates sucessivos e intervenções catastróficas. É o primeiro sinal, indesmentível, de que os portugueses não vão aceitar tudo, de bom e de mau, sem mostrar o seu profundo descontentamento.O primeiro-ministro que se acautele e previna. Não basta uma maioria absoluta para ter sossego e tranquilidade, nem os eleitores já se acomodam a isso.
Tudo o que vem também vai, e ter uma maioria absoluta em eleições é um facto temporário, conjuntural, que pode, de repente, e sem qualquer previsão, transformar-se num fardo insuportável e rapidamente destrutivo. Outros que o digam, que já passaram pelo mesmos, tanto aqui, como noutros países.
O Governo, e particularmente o primeiro-ministro, construíram a imagem e a convicção de que tudo se poderia fazer e decidir, mesmo a mais rídicula e bizarra das medidas, sem que as condições "climatéricas" se alterassem, baseados na premissa política de que uma maioria absoluta tem quatro anos de vida, e nada, nem ninguém, a pode pôr em causa. É um grande erro, e pode ser dramático.
(...) Quando o afastamente se verifica, e a realidade de uns não corresponde à dos outros, começam a esquizofrenia e o autismo. Os primeiros sinais são incontestáveis. Tanto mais que o primeiro-ministro já entra pela porta dos fundos quando se desloca pelo País, o que não é propriamente muito agradável de ver.
(...) Estes fenómenos vão repetir-se, não dão estabilidade a nenhum Governo, muito menos aos que acham que tudo podem fazer, contra todos, no curto espaço de tempo de quatro anos, sem que o descontentamento se manifeste. Isso era dantes».
Luís Delgado, in DN
1 comentário:
A legitimidade "Democrática" tem limites e um deles, e principal, está na Constituição. Assim sendo a questão passa para o Sr. Presidente da República que, vamos a ver, até quando é que"aguenta" tanta inconstitucionalidade material. Se calhar era melhor era acabar com a Constituição, tudo seria mais fácil...nesta altura em que mal existe um contratempo ao governo s efale em alterar as leis.
Faz lembrar os tempos do Governo de Cavaco Silva e as forças de Bloqueio. Está na altura de fazer ele o que lhe fizeram a ele e dar algum rumo ao país, em conformidade com a as Leis da República.
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