terça-feira, setembro 12, 2006

O mundo do futebol e os outros mundos

Por Dr. Luís Ganhão, Advogado
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«Devo confessar que do mundo futebolístico pouco ou nada sei, não passando de um modestíssimo espectador, nem de bancada, limitando-me, praticamente, a assistir de quando em vez a um desafio na televisão, ouvindo e lendo, aqui ou acolá, notícias sobre o dito.
E daquilo que vou ouvindo e lendo, da frequência com que dirigentes, jogadores, treinadores, associados e adeptos se «mimoseiam» entre si, denunciam comportamentos suspeitosos, menos lícitos e imorais, das duas, uma: ou o mesmo é feito de interesses obscuros, de falta de ética, numa sobreposição aos verdadeiros valores desportivos ou aquilo que vemos denunciado não terá substância alguma, tudo não passando de pequenas quezílias, ditadas, apenas, pela paixão desmedida com que o futebol será vivido.
Ora eu diria, que, em ambos os casos, venha o Diabo e escolha.
No primeiro, por razões óbvias, no segundo, por o futebol não ser visto de uma forma racional, mas alienadamente, o que até dará, como é óbvio, jeito a muita boa gente/interesses estabelecidos (a)
E quando nos deixamos alienar por algo na vida, não raro, como é sabido ou, pelo menos, deveríamos saber, comprometemos o nosso futuro, esquecendo, por exemplo, o problema do desemprego ou do insucesso escolar que têm vindo a flagelar o nosso país!
Ainda a propósito do mundo do futebol, entre outras coisas curiosas, observo esta:
Se alguém, ainda que por um preço que sabia nunca podia ser o pedido, por demasiado baixo, compra numa qualquer feira, a um pobre cigano, um fio tido como de ouro e que, afinal, se vem a revelar de latão, clama-se pelo julgamento e condenação do mesmo por burla!
Mas, se uma qualquer «estrela futebolística», na final dum qualquer campeonato, em que para além do título em si, estejam em causa avultados prémios de jogos, compensações financeiras, publicidade, etc., forja uma grande penalidade que há-de dar o título à sua equipa, é visto como um herói!
O mundo do futebol, decididamente, tem valores (pelos menos alguns) que me ultrapassam!
E assim, pelo sim, pelo não, vou continuando adepto do modesto, mas tão cheio de relações de amizade e afectividade entre partes, jogo do berlinde…
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(a) O país ardia de norte a sul, mas o noticiário televisivo abria em hora nobre com a notícia de que um qualquer treinador de futebol havia rescindido o seu contrato com o respectivo clube!
Partidos políticos assinavam entre si um acordo para a reforma da Justiça, mas em hora nobre o televisivo noticiário era aberto com uma ligação directa a um qualquer clube de futebol, para dar a palavra ao seu presidente e este poder, assim, comentar uma qualquer notícia sobre si saída na primeira página de um jornal tido como de «referência»!
Nesta democracia portuguesa, pelos vistos, as grandes questões ficam reservadas, reservadamente, para as «elites» e as pequenas, devidamente difundidas, para as «massas» (na última Assembleia do Gil Vicente, por exemplo, a propósito dum tal «caso Mateus», seria suposto, pelo que ouvi e li, que a «massa» dos associados iria, democraticamente, pronunciar-se sobre o caminho a seguir pelo clube, pois, para isso, teria sido convocada. Mas não fosse o Diabo tecê-las e a mesma ainda acabar por decidir em conformidade com os maléficos desígnios daquele, logo se arranjou maneira de passar a decisão para a «elite» da Direcção!
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PS – Enquanto não se resolve o imbróglio do «caso Mateus», sugerimos, para matar o tempo, a leitura de «Planisfério Pessoal» e «A lua pode esperar», ambos de Gonçalo Cadilhe, Edição Oficina do Livro. Uma forma diferente de, turisticamente, observar o mundo».

1 comentário:

Anónimo disse...

Na "mouche".