terça-feira, setembro 19, 2006

Perfil de Chefe

Artigo de opinião por Luís Ganhão *
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Os funcionários da Direcção-Geral dos Impostos que aspirem à chefia duma simples Repartição de Finanças ou Secção desta, ainda que comportando meia dúzia de elementos, já não lhes basta terem conhecimentos de índole fiscal, passou a exigir-se-lhes, paralelamente, que tenham «perfil de Chefe»!
Perfil que tem estado a ser determinado em testes psicotécnicos, com carácter eliminatório, onde, nomeadamente, são chamados a pronunciar-se sobre a comida de que gostam e a que enjoam.
Não pretendendo pôr em causa a necessidade de tal «perfil», muito menos a bondade dos psicotécnicos que o determinarão, pois é matéria que não domino, não deixo, contudo, de me interrogar sobre a razão pela qual a exigência do «perfil» em causa, por maioria de razão, não se torna extensível à classe «dirigente» do país, a começar pelo Chefe do Governo, chefe de quase dez milhões de portugueses!
Quem sabe se essa extensão não faria o país, em meia dúzia de anos, dar um salto de desenvolvimento de cinquenta, que parece ser, no mínimo, o que levamos de atraso só em relação à vizinha Espanha!
PS – Um funcionário da DGCI a quem não seja reconhecido «perfil» para chefiar uma simples Secção duma Repartição de Finanças (agora diz-se, mais modernamente, Serviço Local de Finanças, atenção!), não fica, contudo, impedido de vir a ser nomeado «dirigente» da respectiva organização, como, por exemplo, Chefe de Divisão ou Director de Serviços!
E então, se tiver cartãozito partidário, até poderá aspirar ao cargo de Director-Geral, assim passando, sem perfil de Chefe a Chefe de Chefes com perfil!
* Advogado

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